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Expresso

A fé na Política e na Economia

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Nesta última Páscoa foi visível a satisfação com que muitos receberam uma mensagem do Primeiro-Ministro Cameron sobre o Reino Unido e os seus princípios cristãos. Uma declaração assumida e sem complexos.

Não quero com isto deixar nenhuma homilia sobre a fé, a conduta cristã ou a relação que cada um, no seu íntimo, tem, ou não, com o Deus cuja religião que professa.

Somos um país laico na forma, mas muito católico no íntimo. São as nossas raízes, a herança judaico-cristã, que nos fazem ser e viver de acordo com esses princípios.

A fé é de cada um de nós. Acreditar ou não, pois há espaço, na nossa sociedade, para os ateus e agnósticos. Sentir. Rezar. São construções que cada um toma de si para si da forma que mais lhe convém de acordo com a fé que professa.

Não dá para medir a fé. No entanto, dá para medir e construir um mundo assente em valores cristãos, que guiaram a construção da Europa, feita por sociais-democratas e democratas-cristãos, como a igualdade entre os homens, a compaixão pelo próximo, no fundo a defesa da dignidade da pessoa humana.

Não, não venho dar catequese, nem fazer proselitismo.

No entanto, com o máximo de respeito por todas as religiões, bem como por agnósticos e ateus, não posso deixar de sentir que há pouca fé em certos círculos decisivos para a nossa vida colectiva.

Falta bom senso. Falta amor. Falta compaixão e companheirismo. Faltam princípios, ética e falta moralidade. São chavões. Mas também são regras que nos podem fazer melhores enquanto comunidade humana. Independentemente dos credos.

Neste mundo ausente de exemplos, onde escasseiam referências a vários níveis, percebemos que a nova forma de estar só pode ser a de encarar cada homem e cada mulher de forma igual. Cada um de nós é uma pessoa de pleno direito. Com as nossas imperfeições bem assumidas e vincadas. Mas, para construção de um mundo solidário, é muito importante que a fé se assuma. Faz falta uma fé plena e sem constrangimentos. Uma fé que espalhe em cada gesto, em cada acto, em cada decisão o bem comum. Mais do que uma lógica individualista ou colectivista, devemos progredir para uma lógica de bem-estar social. Uma lógica assente numa igualdade de oportunidades, para dentro de padrões aceitáveis vivermos e convivermos.

E de facto, foi escolhido Jorge Bergoglio, Francisco um Papa extraordinariamente simples. Um homem terra a terra, semelhante a nós. Que nos permite perceber que somos todos de facto filhos de Deus. Que não há pedestal ou poder que faça alguém ser mais do que o outro. Que faz questão de, face ao mundo em que vivemos, salientar a Doutrina Social da Igreja e de como a sua implementação tornaria a sociedade mais justa.

O homem não vale somente por aquilo que faz, mas também por aquilo que realmente é. Não há vida sem bens materiais, mas também não há vida sem afectos e sem alma.

E é essa alma que devemos colocar em todos os nosso actos. É essa alma que devemos ter em consideração na economia, no mundo que rodeia este sistema capitalista. Individualista e consumista que arrasa e constrói egos, éticas e valores. Faz falta acreditar em algo que nos dê sentido à vida.

Eu por aqui Acredito Nele. E faz-me querer que podemos mesmo mudar o mundo.