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Expresso

Investimento em ciência a aumentar

São muito boas as notícias que recebemos, num sector tão crucial como o da Investigação e Desenvolvimento (I&D), onde tivemos um reforço dos montantes aplicados. Portugal subiu 7,2% no nível de investimento na ciência. Dá qualquer coisa, no global, como 1,33% do PIB nacional. Bem sei que é um sinal importante, contudo não se justifica, por ora, o lançamento de foguetes. Estamos longe, como sempre, da média europeia. Essa situa-se nos 2% do PIB.

Apesar deste hiato, entre nós e os melhores exemplos europeus, são já bons sinais para o futuro da nossa economia. O caminho, para a sustentabilidade do nosso crescimento e da nossa comunidade, é por aqui.

Investigação, investir na investigação. Tem sido uma conversa muitas vezes repetida e glosada em múltiplos discursos, mormente de políticos. Há que lembrar que são as empresas, sobretudo elas, que levam o conhecimento científico e tecnológico ao mercado através da massificação e operacionalização, pois é preciso atingir escala de produção, senão os produtos de ponta não passariam de um mercado de nicho cujas receitas seriam menores. Uma coisa é vender 1000 iPhones,outra coisa, bem diferente, é vender 200 milhões de iPhones.

A concorrência é fundamental para o crescimento saudável das empresas, mas estas têm de estar capacitadas para a enfrentar. E estes números que nos chegam do IPCTN 2017, são um forte incentivo. Aprendi, há alguns anos, a acompanhar os resultados do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional. Sempre foi um barómetro importante, que procurei entender e acompanhar. Os passos que o país tem dado, quer com este Governo, quer com o anterior são positivos.

A empregabilidade de mais investigadores é um dado importante e que merece o devido destaque.

Este inquérito que referi deve ser olhado com redobrada atenção. Falamos de um instrumento de análise à prestação das empresas nacionais, na sempre relevante questão da carga tecnológica do sector empresarial nacional. São um instrumento crucial para qualquer decisor político. Sim, entra o político na equação. E porquê? Porque o Estado, sempre presente, ou não estivéssemos em Portugal, pode ter um papel de forte incentivo às empresas. Uma empresa que demonstre forte alocação de recursos em I&D, não pode ser prejudicada com mais impostos e mais burocracias, que ao invés de simplificarem, tornam-se um obstáculo à actividade produtiva.

A criação de um ambiente favorável à inovação começa sempre no papel do Estado. Que não atrapalhe, é um papel crucial, para que se crie um ecossistema favorável ao desenvolvimento de novas tecnologias e de novos processos, que permitam às empresas nacionais singrar no mercado externo.

Saudemos este crescimento nacional. Mas com o foco bem preciso, olhando para o que é essencial, não confundindo quantidade com qualidade, pois os projectos produtivos devem ser o alvo.

Para inovarmos precisamos, necessariamente de investir. Sobretudo em conhecimento, nomeadamente em pessoas, pois são elas as produtoras de conhecimento. E aqui é o ponto. Inovar não é só para as empresas venderem mais, é importante para empregarem mais trabalhadores e pagarem melhor a quem lá trabalha. Está tudo ligado. E esta ligação precisa de força, de um catalisador para a mudança incremental, mudando aos poucos, mas sempre na direcção certa. Bem-haja aos nossos empresários. Também merecem ser saudados e não apenas atacados. Cada gestor que aumenta a rúbrica da despesa em I&D no seu orçamento anual merece todo o respeito. O futuro é por aqui.