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Expresso

A escola Sonae

Todos conhecemos bem o líder que fez a Sonae. O Engenheiro Belmiro de Azevedo, empresário controverso, cujo percurso sempre foi pautado pela exigência e por uma forma de estar intransigentemente livre, nomeadamente de certos favores políticos. Cada intervenção pública que faz dá bem conta dessa imagem de marca.

No meu percurso profissional, tive o privilégio decolaborar numa organização liderada pelo Eng. Belmiro e de sentir de perto a sua maneira de ser. A visão, o arrojo, mas também a exigência e a rectidão foram marcas que sempre foram incutidas em todos os que colaboram com ele.

É extraordinário ver a forma como tem sido feita a transição na liderança do grupo Sonae. É um caso de estudo, melhor, é um exemplo a seguir. Muitas são as histórias de transição de liderança, sobretudo em grupos empresariais de base familiar, que culminam em maus resultados para as empresas. A falta de preparação para a sucessão, as lutas internas, as invejas e os normais jogos de poder, podem levar ao desmoronar de um trabalhoárduo de décadas.

Não é o caso da Sonae. Para isso tem contribuído uma característica, nem sempre destacada, do Eng. Belmiro essencial num Líder 360º: a promoção de líderes. Esta ideia é de difícil encaixe em muitos dos que exercem funções de chefia. Não sei se por medo, por ego elevado ou por uma sensação de ser insubstituível, assim é bom que cada pessoa que exerce funções de chefia hoje, pense bem que só será um grande líder se deixar bons sucessores. É uma obrigação de qualquer cargo dirigente. A preparação das pessoas para assumirem lugares de relevo, a criação de uma escola que continue dignamente o legado. Melhor do que as condecorações, as entrevistas ou os elogios no presente, é perceber que o legado continua e que as apostas da liderança resultaram. Apostar significa isso mesmo: risco. E é arriscado dar lugares de chefia a pessoas novas. Todavia não é isto que se pede a um Líder com visão? Não tenho dúvidas que é.

Ainda recentemente, o semanário Expresso publicou uma fotografia da apresentação de resultados da Sonae. Lá estava o Presidente Paulo Azevedo. Com um novo estilo, uma nova imagem. De ténis, sem gravata. Marcando a diferença face aos outros capitães de indústria e aos outros badalados e mediáticos CEOs. A desfazer preconceitos e ideias feitas, o que interessa é o conteúdo, ou seja, o nível de rendibilidade, a evolução do famoso EBITDA. A ideia de que a gravata e o fato fazem um grande Líder ou dão mais respeito está totalmente démodé. De que vale ter uma engravatada ou até por Saville Row vestida Comissão Executiva se depois os resultados desapontam, se os negócios estagnam, se a dinâmica de liderança do mercado ou a intensidade dessa disputa pela empresa esmorece? O Eng. Paulo Azevedo, nessa apresentação de Resultados da Sonae, ao seu estilo, deixou cair essa forma de estar e de se apresentar. É um novo Líder. Discreto, mais aberto, mais próximo. Acredito que o Eng. Belmiro só possa estar satisfeito com a escolha, pelos bons resultados que têm sido conhecidos. Como os bons gestores e os bons investidores sabem, no final do dia, o que conta são os resultados, os lucros, pois é essa a medida com que se avalia o sucesso das empresas, numa economia capitalista de mercado.

Contudo não podemos deixar de acrescentar outros bons exemplos de gestão da escola SONAE como Ângelo Paupério, Carlos Moreira da Silva, Daniel Bessa, Álvaro Portela, Nuno Jordão e tantos outros. Então em matéria de spin-offs a Sonae teria muito para ensinar. E são todos estes gestores, em conjunto com os trabalhadores, que fizeram e fazem da SONAE o grupo robusto e bem-sucedido que todos nós conhecemos.

É extraordinário como um homem que tem visão e sentido de oportunidade para o negócio, tenha este condão para a descoberta e formação de novos líderes. E que passou a cultura de exigência e rigor para os que o sucedem, patente na aposta permanente da Sonae na busca de novos talentos, sempre a patrocinar cursos e concursos de liderança.

Assim se preparam os alicerces para o futuro.