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Expresso

Portugal lançava navios, agora lança start-ups

Esta frase é da Bloomberg e coloca Portugal no radar global. Vem a propósito da análise do ecossistema nacional de promoção do empreendedorismo.

Só esta frase e o posicionamento, Portugal no 5º lugar de comunidade de start-ups com melhor desempenho na Europa, faz mais pelo país e pelos jovens empreendedores do que muitos roadshows ou tentativas de captar atenção mediática e dos grandes investidores por esses mercados fora.

Este ambiente de abertura ao espírito de start-up, de pioneirismo, de abraçar o risco, tem feito um caminho muito interessante, num país que esteve décadas fechado e envolvido pelo proteccionismo do condicionamento industrial, algo que urge romper. Não é por acaso, que a este novo enquadramento português se juntou a Web Summit no ano passado e que se repetirá este ano.

Todavia não é a Web Summit que quero realçar hoje. Este ano, um ano de eleições autárquicas, importa, na verdade, referir que o poder local muito tem contribuído para a criação deste ambiente.

Cito três exemplos. De diferentes cidades, de diferentes cores políticas.

Em Lisboa, na nossa capital, a Start-up Lisboa, que comemorou cinco anos, merece uma palavra de felicitação pelo trabalho que tem desenvolvido. Números redondos apontam para a participação e apoio de mais de 200 novas empresas, estando actualmente, no processo de incubação cerca de 80. São números muito interessantes. Portanto, basta acompanhar com atenção o trabalho desenvolvido pela Start-up Lisboa para perceber que existe um ambiente acolhedor, que dá espaço à iniciativa dos empresários do amanhã. Uma onda de entusiasmo em que se respira o espírito da livre iniciativa privada. Um estilo de ultrapassar burocracias e formalismos, não raras vezes, desajustados e bacocos. Aqui existe a procura de soluções inovadoras, que reinventam produtos e processos, por forma a aumentar a satisfação das necessidades dos consumidores e assim abrir novos sectores e oportunidades de negócio. Em suma, o verdadeiro espírito que deve guiar as organizações viradas para o mercado concorrencial e globalizado. Não posso deixar de referir a importância de João Vasconcelos, na centelha e nos primeiros passos, e Miguel Fontes agora, na continuidade e procura de melhorar dentro do espírito original, na dinamização e liderança do inovador projecto.

Contudo se em Lisboa o navio vai de vento em popa, também devemos referir o exemplo, ao lado, no município de Cascais com a DNA Cascais a ser um holofote que aponta em direcção ao empreendedorismo. Pelos dados, que são do domínio público, sabemos que apoiou, nos últimos 10 anos, mais de 292 empresas, que representaram um volume de negócios acima dos 60 milhões de euros e potenciaram mais de 1500 empregos. São números muito relevantes e que nos dão confiança para o futuro. Quem já visitou o espaço em Alcabideche, e eu já tive essa oportunidade, percebe a pujança e o empenho postos ao serviço do projecto. Um espaço com excelentes condições para quem tem uma ideia, um esboço de plano de negócios, e precisa “daquele empurrão” e do acompanhamento certo para ver crescer a sua ideia e montar o negócio.

Mais a Norte, não queria deixar de referir a aposta do município de Santo Tirso, numa incubadora dedicada à moda e ao design, a Fábrica de Santo Thyrso, que procura fomentar e servir de catalisador do sector na região. É também uma solução que tem dado frutos e tem criado um ambiente acolhedor num sector tão exigente e inóspito, sobretudo fora dos grandes centros mundiais do prêt-à-porter.

São três exemplos. Diversificados, mas, felizmente para o país e para a economia nacional, existem mais. No entanto, é bom chamar a atenção para estes exemplos, pô-los em evidência. Não são meras salas livres para instalar o computador e ter acesso à internet. Vão mais além. Permitem o contacto com tutores, gestores, investidores, fornecedores. Permitem a partilha de custos e de contactos, no fundo são exemplos da tentativa da criação de clusters que ganhando massa crítica cresçam por ímpeto próprio. O networking informal é também uma mais-valia, muitas vezes desprezada, designadamente nos manuais de gestão, e muito necessária na economia real. São estes espaços em que a aprendizagem é uma constante, em que cada pessoa procura desenvolver a sua ideia em forma de empresa tendo ao lado especialistas, mas também pessoas no mesmo ponto de arranque do negócio. São bons exemplos de um país real. Do poder local ao serviço da economia local, regional e nacional. A criar emprego, sem a sombra do clientelismo, autocolante que persiste em ser posto sobre os nossos autarcas. Como bem sabemos, pelos maus pagam os bons.

Juntem-se os vários exemplos e temos o desejado ecossistema favorável ao empreendedorismo.

Neste tempo de más notícias e de fatalismos, ainda podemos olhar com orgulho para o que o nosso país vai fazendo. Repito, ainda bem. É por aqui que está e se constroem os alicerces para o futuro.