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Expresso

Uma questão de educação

Fomos surpreendidos, na pretérita semana, por uma boa notícia para o futuro do país. Os nossos alunos, nos testes relativos ao ano de 2015, subiram várias posições na avaliação mais internacional e mais reconhecida, que mede o desempenho educativo, quanto a Ciências, Matemática, Leitura, Resolução de Problemas em grupo e Literacia Financeira, o Programme for International Student Assessment (PISA) conduzido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico).

Haja razões para sorrirmos. Bem sei que o facto de termos sido campeões europeus de futebol parece algo do século passado, mas estes resultados merecem reflexão e ampla divulgação.

Ainda sou do tempo em que Catarina Martins, no longínquo ano de 2013, arrasava Nuno Crato, pelo fraco desempenho dos alunos portugueses, neste programa da OCDE. Outros tempos, pois não ouvi a mesma Catarina Martins vir elogiar as políticas de... Nuno Crato. É que estes valores são de 2015, não abrangem ainda as medidas superlativamente fantásticas do Ministro Tiago Brandão Rodrigues, pensadas talvez em tandem com o “pedagogo” Mário Nogueira.

Não quero entrar em brigas partidárias. Quero, isso sim, chamar a atenção para um tema que deve ser a base de sustentação da nossa economia: a Educação. Já foi paixão, quando António Guterres era Primeiro-ministro. Já foi alvo de estudos e métodos vários, bem como de grandes projectos, de obras públicas, como o Parque Escolar. Era o Governo de José Sócrates e foi um dos pilares de um programa bem gizado por Maria de Lurdes Rodrigues. Não confundo objectivos com resultados, ou seja, processos com consequências, nomeadamente os percalços e vícios que surgiram, pelo meio das várias obras levadas a cabo e as respectivas derrapagens. Considero mesmo que era uma excelente ideia da Ministra Maria de Lurdes Rodrigues para aparelhar as nossas escolas, com boas instalações e tecnologia moderna adaptada ao ensino dos tempos modernos, dando assim as melhores condições materiais para o ensino dos nossos alunos.

Neste país, muitas vezes perdemos muito tempo com o acessório ou assuntos laterais e não mantemos o foco no essencial.

Todavia vamos aos resultados. Animadores. Subimos nas Ciências, Leitura e Matemática. São áreas cruciais. Que merecem uma aposta continuada, pois o esforço, de adaptar a educação às exigências de um mundo em mudança, tem de ser contínuo e inquebrantável. Olhamos para os resultados globais e passámos à frente de países com grande palmarés como a Finlândia. Ainda este fim-de-semana Nuno Crato chamava a atenção para Espanha e para a estupefacção dos fracos resultados dos nossos vizinhos relativamente aos nossos.

E porque subimos de 2012 para 2015? Graças a, nada considerado como tradicionalmente português, metas e objectivos. Exigência portanto, mas com acompanhamento a quem tem mais dificuldade de aprendizagem.

É assim que o mundo avança. O nacional porreirismo, o desenrascanço sem metas ou exigências leva a uma cultura de facilitismo. Não quero parecer focado na Coordenadora do Bloco, mas não posso deixar de recordar que Catarina Martins dizia ainda há pouco tempo que: "Perguntaram-me se eu quereria ser operada por um cirurgião que em vez de testado na escola tenha sido feliz na escola. Não tenho nenhuma dúvida; quero que tenha sido feliz." São perspectivas. Não são as minhas. Não acredito, nem tenho qualquer admiração por regimes autoritários. Todavia é, para mim, inconcebível que um Professor possa ser desautorizado em plena sala de aulas. O respeito é bonito, faz parte da boa educação e recomenda-se. E o respeito pelos outros, não só pelos docentes, nas escolas, apesar de não substituir a educação de casa, deve ser incutido.

Estes resultados são também o espelho do trabalho de Nuno Crato, não tenho dúvidas, porém também não esqueço que são o resultado do trabalho diário de tantos professores, ausentes do protagonismo e reconhecimento mediáticos, que buscam dar aos nossos jovens uma aprendizagem para a vida.

O sistema de ensino em Portugal é perfeito? Não. De todo. Não obstante a inclusão de metas e objectivos, a noção de exigência, com capacidade de compreensão das necessidades educativas de cada aluno é o caminho indicado para o sucesso. Na educação não existe um modelo único. Não podemos, nem devemos, tratar todos por igual. Não somos todos iguais ou não fossemos todos humanos, mas diversos. A escola é o primeiro espaço de comunidade que conhecemos, saindo do, melhor ou pior, casulo familiar. É na escola que começamos a lidar com novas realidades, novos conhecimentos, novos desafios. Com formas de estar que nos fazem adaptar, que nos desiludem, mas também nos desafiam e que nos dão capacidade de resposta. É o mundo novo a entrar. E onde mais, se não aqui, se começa a preparação para o mercado de trabalho e para a ideia de nos virmos a movimentar numa economia global? A educação é um tema de importância nacional. É um tema que deve estar presente na prioridade dos Governos e ligado com os agentes económicos. Devemos formar jovens capazes, preparados e audazes. Que saibam enfrentar as desilusões e decepções da vida e as saibam transformar em vitórias. Que saibam que o Professor existe para ensinar e não para dar boas notas, não tem de ser um porreiro… E sim, precisamos de alunos motivados, que conseguem vencer por si e que não têm bons resultados porque estão num sistema complacente que deixa passar, que põe o aluno “oprimido” no centro de todos os cuidados. Os alunos são o centro, mas de um sistema exigente e rigoroso, mas humano, que não castre a criatividade, nem retire os sonhos e os anseios de cada um.

O futuro da nossa economia faz-se também com a educação como prioridade.