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Expresso

Economia circular, conceito a decorar

A COTEC Portugal, Associação Empresarial para a Inovação, promoveu no seu 13º encontro, o tema: Economia circular.

O que é? Eu ajudo com a definição mais consensual do conceito: “é um modelo de desenvolvimento sustentável que permite devolver os materiais ao ciclo produtivo através da sua reutilização, recuperação e reciclagem, assegurando assim uma maior eficiência na utilização e gestão de recursos e um maior bem-estar do planeta e das populações.”

Incluir este tema na agenda mediática é um excelente contributo. De facto, com o actual quadro económico e financeiro global, com as alterações climáticas como preocupação central do futuro do nosso planeta e com uma sociedade assente no consumismo e futilidade, não podemos deixar que se tudo seja para usar e deitar fora.

Vamos ser claros. Os recursos naturais esgotam-se, a regeneração do planeta tem limites. Podemos dar as voltas que quisermos, podemos ter esperança no engenho humano, na inovação e no pregresso tecnológico. Mas, perante esta certeza objectiva da finitude, ficar sentado a ver os recursos esgotarem-se, sendo consumidos por esta voragem sem limites, deixando as gerações vindouras de fora, que existe no mundo em que só a novidade importa, o que é novo é que vale a pena, é uma má e pouco assisada decisão.

O programa Europa 2020 já trazia este tema para a ordem do dia. A utilização de verbos como “reduzir, reutilizar, recuperar, reciclar”, são cruciais para a economia circular passar dos discursos à implementação prática.

Esta é uma medida que procura combater o desperdício da nossa economia. Segundo dados da Comissão Europeia (CE), a Europa contabiliza mais de 330 mil milhões de euros de desperdício nas transações comerciais. O estudo da CE aponta para uma poupança estimada na ordem dos 600 mil milhões.

Se olharmos para os dados fornecidos pela COTEC, percebemos que cada europeu gasta cerca de 16 toneladas de materiais por ano. É muita tonelada. É um grande desperdício. Só em lixo, cada português produziu mais de 400 kg. É muito lixo, demasiado. Todavia, o mais extraordinário é que apenas 5% desta matéria-prima é reciclada. Temos, por isso, uma perda quase total, sem possibilidade de reinserir os materiais no ciclo produtivo, obrigando a nova retirada de recursos à Natureza.

Olhando para outros indicadores, é extraordinário que cada carro passe, em média, 92% do tempo estacionado, e cada escritório seja utilizado cerca de 30 a 40% do seu tempo. Ao nível dos recursos alimentares, são desperdiçados, em torno de 32% de alimentos.

São números que nos devem fazer pensar firmemente no que estamos a fazer ao nosso planeta e naquilo que legaremos às gerações que nos sucederem, porque queremos que a Humanidade tenha futuro, certo? Poderemos continuar a agir como meros espectadores? É que se nada for feito os danos ambientais e os consequentes prejuízos sociais e económicos serão gigantescos. Na verdade, o ponto de não-retorno já foi mais longínquo.

Não sei se esta importante tema será uma mera moda, ou mero relatório ou um daqueles momentos que nos dão um murro no estômago, mas continuamos a seguir serenamente com as nossas vidas, apesar da consciência estar pesada. Sei é que todos estes conceitos requerem mudanças de mentalidades, para que se possam traduzir em acções no dia a dia, da simples garrafa de água no autoclismo ao apagar as luzes acesas do corredor, passando pelo bom uso dos electrodomésticos. O planeta precisa de boas práticas do consumidor, do empresário, do político e precisa também, de igual forma, de si e de mim. Vamos lá colocar a economia a circular.