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Expresso

É a economia, estúpido

Sim, a frase já foi dita e repetida, mas não perde actualidade. É um slogan que nos remete para o ano de 1992, para a campanha do então Presidente George Bush pai, acabado de sair de uma vitória na guerra do Iraque, “Operação Tempestade no Deserto”, com uma taxa de aprovação popular na ordem dos 90%. No entanto, um Presidente recandidato, vitorioso, perdeu para um jovem Governador do Arkansas Bill Clinton. Era o espírito de mudança e a preponderância do estado da economia, no debate político. Não sendo despiciendo o maior à vontade de um candidato face ao outro quanto ao desempenho e facilidade mediática.

Vem esta pequena resenha histórica a propósito dos mais recentes dados do crescimento trimestral da nossa economia.

Muita calma nesta hora. Resultados? Positivos. Bastante positivos. Ver a nossa economia crescer, ainda para mais num lugar de topo, comparado com as economias europeias, só nos pode dar uma centelha de esperança.

Passamos anos e anos a falar e a criticar o crescimento económico, ou a falta dele, e quando chega, não podemos dizer que é negativo.

Foi o turismo? Foram os F-16 vendidos, após modernização, à Roménia? E então? Não é o turismo um sector tradicionalmente relevante, para a economia nacional, e que merece o continuar da aposta? Olhem bem as condições fantásticas de que dispomos. Tanto as nossas bênçãos naturais quanto a sol, mar, meteorologia, como as humanas com a nossa excelente gastronomia, a segurança e a arte de bem receber. Olhem para o resto do globo, basta olhar para a outra margem do Mediterrâneo, e percebemos que aqui, neste cantinho à beira mar plantado, podemos receber bem as pessoas de todas as proveniências. E gostamos de as receber. Somos um país aberto ao mundo, que respeita religiões, costumes e todos os modos e

estilos de vida, desde que não hajam exageros.

É óbvio que o turismo pode e deve ser fulcral para puxar pela nossa economia. E ainda para mais, a juntar aos nossos restaurantes gourmet, que lutam ombro a ombro com os melhores do mundo pela difícil estrela Michelin, temos também os pitorescos, as nossas tascas tradicionais, onde se come bem e somos recebidos como se fossemos visita de casa. Do mesmo modo, temos grupos hoteleiros que nos fazem competir com qualidade e níveis de desempenho ao nível dos grandes gigantes mundiais. Não é o Grupo Pestana um orgulho e exemplo de qualidade? E o que dizer do Vila Galé? Quer Dionísio Pestana, quer Jorge Rebelo de Almeida são dois exemplos de empresários de sucesso, que também ajudam a puxar pela economia. Pela visão, pelo cuidado, mas sobretudo por não desistirem de investir e fazer crescer um sector com enorme potencial no nosso país.

Nós somos um país pequeno. Temos uma dimensão de uma cidade nos EUA ou na China. É, também por isso, que devemos apostar no que realmente nos valoriza, no que realmente nos diferencia. Os turistas, sobretudo os que geram maiores receitas, procuram experiências únicas, exclusividade, não querem só toalhas limpas e um quarto bem arrumado.

Todavia, é bom também sermos sérios no debate. Os números do crescimento económico do terceiro trimestre de 2016 são um excelente incentivo para o actual Governo. No entanto, importa reconhecer que, estes números são também o resultado de um caminho trilhado

anteriormente pelo Governo de coligação de Pedro Passos Coelho. Não há crescimento por

decreto, mormente com menos de 6 meses de governação. Se assim fosse poderíamos tentar uma entrada no Guiness. Sendo rigorosos, temos de reconhecer, o ambiente é hoje bem diferente de há um ano atrás, mas estes dados, agora divulgados, também são fruto do trabalho anterior, ou antes tudo era negrume e tragédia, sem que nada de útil tenha sido feito pelo país?

Por isso não entro nas euforias, no embandeirar em arco, pois o mundo está em constante

mutação e vive uma significativa indefinição, nem em partidarites ou clubites.

Eu espero que o nosso país tenha um crescimento sustentável, abundante e repartido por todos. Precisamos de crescimento e de estimular uma economia que tem de subir de rotação. E sim, será no tabuleiro da economia que as decisões políticas dos eleitores se farão mais adiante.

Dois conselhos, se me permitem, a António Costa e a Pedro Passos Coelho. Ao actual Primeiro-Ministro importa ser comedido e sensato, olhando e ponderando bem as recomendações de Bruxelas, apesar da aprovação do Orçamento de Estado de 2017. Ao anterior Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, que é preciso perceber o mundo de hoje e olhar em frente criando soluções próprias.

O país precisa de saber o caminho que trilha, mas também o caminho futuro, que pode ter como alternativa. Não é tempo nem de triunfalismos, nem de saudosismos.