Siga-nos

Perfil

Expresso

E a sustentabilidade ambiental pá?

Qual ambiente? Isto agora já nem dá para as estações intermédias, as quase míticas Primavera e Outono. Agora é Inverno ou Verão.

Ainda sou do tempo em que havia meia estação. Outros tempos. Já não é do tempo climatérico, que é o nosso. No dia 4 de Novembro entrou em vigor o Acordo Internacional que foi assinado em Paris, em 2015. Ainda se lembra da Conferência do Clima de Paris (COP21)? Essa mesma, aquela que juntou 195 países reunidos nessa cidade fantástica, sob a égide das Nações Unidas, em que foi assinado o primeiro acordo universal de luta contra as alterações climáticas e o aquecimento global, envolvendo, pela primeira vez, o compromisso sério dos Estados Unidos da América, China, União Europeia e Índia (nada menos que os maiores emissores de dióxido de carbono).

Aquele tema que parece sempre ser de uma minoria, daqueles senhores da Quercus, do GEOTA ou da Greenpeace, ou seja, coisa de ambientalistas que fazem manifestações excêntricas. Errado. Completamente errado.

A temperatura do nosso planeta, este ano, registou valores cerca de 1,38 graus Celsius acima dos medidos no século XIX. É uma subida que coloca em causa a sustentabilidade ambiental do planeta, a prazo estamos a falar da cada vez maior impossibilidade da vida na Terra, não só a da sociedade humana, mas do resto do ecossistema global. Os países comprometeram-se a implementar medidas que limitem a subida das temperaturas globais até ao máximo de 1,5 º C. Apesar deste compromisso para um esforço global, ainda assim é uma medida que coloca em causa certos países que são ilhas, de reduzida altitude, e que podem ficar em sério risco.

Há uma mensagem que ficou implícita da COP21. É necessário substituir rapidamente, e à escala global, as fontes de energia primária energia fósseis, nomeadamente os hidrocarbonetos (petróleo, carvão e gás) pela chamada energia “verde”.

Este é um projecto a nível global, um objectivo para a Humanidade. Não dá para ser feito apenas por uma empresa, país ou família. É um compromisso de todos, que obriga e envolve todos, já que é para o futuro de todos. Desde políticos a empresários. Todos somos chamados a ajudar a diminuir as emissões de dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa. Todos, dada a proporção enorme do problema, não podem existir desistentes.

Este será um tema forte na agenda que António Guterres, enquanto Secretário-Geral das Nações Unidas, terá de liderar, perante a natureza global do problema e o papel de charneira que a organização que lidera tem desempenhado, desde a Conferência de Estocolmo em 1972. Contudo não é uma agenda apenas para Convenções, políticos, burocratas, líderes empresariais e ambientalistas. Deve ser uma agenda com os calendários bem estipulados e pontos de situação, bem como mecanismos de percepção de quem cumpre ou não e com o envolvimento dos cidadãos, este não é um ideal de elites é antes um problema grave, que exige e cujo sucesso depende do envolvimento de todos os seres humanos.

O mundo é hoje um espaço mais aberto, mais estudado e mais curto. A mobilidade de pessoas e as tecnologias de informação e comunicação aproximaram-nos a todos. É espantoso como este tema não mereceu grande destaque na campanha eleitoral dos EUA. Sintomático do tempo que a maior potência mundial vive, onde o ambiente mediático tem um grande número de cépticos das mudanças climáticas.

E no meio de diversões, casos secundários e fait divers esquecemo-nos, não raras vezes, do essencial. Que se passe rápido das palavras e ideais aos actos. Estamos numa era que carece de uma nova revolução. Desta vez não será industrial, mas sim uma mudança estrutural no modo de vida de toda a Humanidade. Sim, o mundo precisa de ser mais amigo do ambiente.