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Expresso

Economia e Segurança uma perigosa simbiose

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O que tem mais valor hoje em dia para as populações? É este desafio que estamos a viver. Para os mais pessimistas abundam os sinais, comparáveis aos dos anos 30 do século passado, da futura terceira guerra mundial. Ninguém se atreve a afirmá-lo taxativamente, mas se calhar não ignoram os presságios. É verdade. De forma mais ou menos directa, ainda sem adversário evidente, sem clarificação cabal de quem são os maus da fita, de qual o país ou base territorial de origem. O “inimigo” pode estar ao nosso lado numa esplanada ou lugar ao lado nos transportes públicos.

O mundo é hoje um lugar menos tranquilo. E a prova disso são não só os atentados, de que Nice é o mais recente e trágico exemplo, mas também acontecimentos como a Convenção Republicana, o golpe de estado na Turquia ou a granada perdida na Baixa de Faro.

Não podemos enterrar a cabeça na areia, nem nos podemos esconder. Quando se colocou a questão de ir ver a final a Paris, que deu a vitória a Portugal, para além do preço exorbitante do bilhete, o receio de ir a Paris, por temerem pela sua vida, foi uma realidade para muitos portugueses. Isto é uma inversão enorme na mentalidade e prioridade das pessoas, em particular nas sociedades ocidentais europeias para quem depois das Brigadas Vermelhas, Baader Meinhof, IRA e ETA o terrorismo era parecia coisa do passado ou que se passava lá longe.

Este permanente estado de alerta, as sucessivas ameaças em Bruxelas, no Largo do Rato ou

em Faro, são a prova do rompimento da bolha de segurança na Europa, nos EUA o 11 de Setembro foi a disrupção no status quo, e do progressivo e pernicioso instalar do medo que obscurece o brilho da luz do ideal de liberdade.

A Convenção Republicana é mais um sinal. Sim, os americanos sempre deram importância aos temas de defesa, mas desta feita, para tal basta ouvir os discursos, o âmago é a segurança, é a prioridade número um à qual urge dar resposta, promovendo a garantia da segurança nacional.

Com uma crise económica, com um mundo inseguro, com uma Europa a esboroar-se, com uma Rússia a trabalhar, segundo alguns especialistas, numa lógica imperial, com os EUA meios perdidos, hesitantes no seu habitual papel de “polícia do mundo”, que futuro temos nós pela frente?

Todos estes sinais e estes sentimentos negativos, não é só a insatisfação com a segurança é também a frustração dos que ficaram para trás na globalização (com a deslocalização e outros fenómenos económicos transnacionais que trazem a insegurança económica, de subsistência, à vida das pessoas) fazem de Trump um potencial Presidente em Novembro. Fazem de Marine Le Pen uma cada vez mais forte candidata a uma segunda volta em 2017, fazem de inúmeros

partidos extremistas, partidos com mais poder, que cresce com a insatisfação e o medo que medra nos cidadãos dos diferentes países.

Qual é o valor mais caro a cada cidadão? É um debate que está a chegar. E um debate que chega às novas gerações que nunca viveram em guerra.

E esta instabilidade é fatal para a economia, pois, como o passado recente demonstrou, a incerteza mina a confiança dos agentes económicos, retrai as decisões de investimento dos empresários e leva ao adiamento do consumo das pessoas. Estamos praticamente no pico do Verão, um período onde as viagens e as estadias animam sempre a nossa economia, podemos, de facto, receber ainda mais turistas, “ganhando” com a instabilidade de alguns destinos tradicionais, dos outros europeus, como a Turquia, a Tunísia e o Egipto, contudo não podemos pensar que se pode persistir pelo ganho com a perda dos outros, perdendo a noção de conjunto, de humanidade.

Nunca como hoje as fronteiras foram tão pouco estanques, elas são, apesar dos esforços em sentido contrário, cada vez mais soft, na visão de alguns porosas demais, quanto a vários perigos que espreitam, nas sombras, a sua oportunidade. Todavia desenganem-se os que pensam que os muros e o arame farpado serão a panaceia dos nossos males. Só cooperando, nos domínios da economia, comércio internacional, da segurança e defesa, poderemos combater e exorcizar os males que nos atormentam. Ai dos que pensam que sozinhos e contra o mundo podem singrar.