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Expresso

Je suis Éder

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Estou entre apitos, buzinas e gritos de festa. Lá fora há um povo que celebra. E eu ansioso de ir para junto deles.

Siii!

Somos campeões europeus. Acreditava? Eu confesso que não. Não parecia uma seleção nacional que nos fazia sonhar. Eram bons, mas pairava um certo ar de dúvida no ar, como se não fosse certa a vitória. Todavia, estiveram lá 23 dos nossos, com o esquema montado por um engenheiro teimoso, mas coerente, que não deixaram de acreditar nunca. E um engenheiro a cumprir com os prazos é obra. E não é que cumpriu mesmo?

Eu bem queria falar sobre as eventuais sanções, do andamento da nossa execução orçamental, da possível crise que o Brexit entreabre, queria falar de vários temas. Mas que diacho. Portugal é Campeão Europeu!

Em que outro sector de atividade Portugal dá cartas? Em que outro sector de atividade é Portugal que chega, domina e, no fim, leva a taça?

E foi uma vitória bem portuguesa. De sofrimento, de aguentar, de fazer das fraquezas forças. Sem Cristiano Ronaldo. O melhor do mundo e o melhor jogador português de todos os tempos. Até disso nos privaram. O nosso Ronaldo. Uma entrada maldosa no joelho esquerdo e Ronaldo, em sofrimento, ficou no banco, contudo não ficou sentado ou resignado e puxou sempre pelos seus companheiros de equipa, que dentro de campo se batiam com os franceses. Um verdadeiro capitão.

E depois? Depois veio ao de cima um colectivo. Sem estrelas, sem vedetas. Sem salvador. E até puseram, em campo, o patinho feio da convocatória. O Éder. Quem não pensou que o André Silva seria melhor? Pois. Muitos de nós. Não obstante, foi quem tanto se criticou que se superou, que na hora difícil respondeu à chamada.

Portugal é muito deste jogo. Temos as condições, temos e podemos fazer muito com facilidade, porém só conseguimos em pressão, na adversidade. Sobretudo, quando já ninguém acredita. Sobretudo, quando o horizonte parece carregado de nuvens negras. E uma estrelinha ou sorte nunca é de menosprezar.

Jogámos mal? Calem-se os críticos, somos os campeões europeus. Quero lá saber da posse de bola, dos toques de calcanhar, das triangulações e das fintas. Quero é ter a segurança do Rui Patrício, o enorme Pepe a resolver lá atrás, um William a jogar de olhos fechados com Adrien, um Renato Sanches a ser indomável e um Nani a segurar lá na frente.

Hoje, todos nós portugueses, aqui e na diáspora, somos campeões europeus. Não sei se o dr. António Mexia já mediu o impacto no PIB desta vitória, no entanto eu sei que Portugal e os portugueses, que tanto sofreram, que vivem do 8 ao 80 em cada lance, merecem. Nós merecemos ser campeões. E nós podemos ser campeões no desporto, na economia, em cada sector de atividade. Temos algo que mais nenhum povo tem: o desenrascanço. E quando é fácil não é para nós.

Fica o aviso para o Ecofin. Sanções? Nós podemos tudo. Nós temos o caneco. E nós vamos vencer cada adversidade, cada obstáculo. Ninguém verga um português. Antes torcer que quebrar.

E que orgulho é para a nossa diáspora e sobretudo, para os nossos emigrantes em França. Pessoas de carne e osso, que podem ser pedreiros, porteiras ou grandes empresários, médicos, advogados, Presidentes de Câmara e muito mais ,mas nesta segunda-feira vão para os seus postos de trabalho de cabeça erguida e a transbordar orgulho e felicidade.

Afinal, somos campeões europeus.