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Expresso

Brasil? House of Cards é para meninos

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Duvido que o Presidente fictício Frank Underwood se lembrasse de colocar o seu antecessor como Secretário de Estado apenas para o deixar a salvo, ou conseguisse mudar o procurador encarregue do processo. Certamente, porque foi o nosso Francis que tramou o seu antecessor. No entanto, seria muito rebuscado, mesmo para a ficção.

Todavia a realidade, como diz a frase batida, é melhor do que a ficção e o dia a dia da política brasileira está ao rubro. Com todo o respeito que o Brasil nos merece, não é de ânimo leve que escrevo esta coluna, pois, tal como milhões de brasileiros, desejo que o Brasil tenha sucesso, afinal é o irmão maior da comunidade de língua portuguesa.

Quando parecia que o Brasil e os restantes BRIC puxariam pela economia mundial arrastando o mundo consigo e tirando da pobreza mais abjeta, a história volta a pregar-nos partidas.

Estamos hoje a assistir ao que pode ser a degradação política de um País. De longe, percebemos que o Brasil tem os mesmos problemas que outros países, não muito dissemelhantes do nosso Portugal. A corrupção apodrece a política e escorre para a economia. Lá como cá.

São anos de acordos feitos nos bastidores, propinas e comissões. Anos em que os agentes económicos andam de braço dado com o poder político e onde pululam os “homens da mala.

Vamos ser sinceros e diretos. Isto está podre, os odores fétidos circulam no ar.

O Brasil é um rastilho. Mas não se pense que fica lá ou acaba lá. É um rastilho numa forma de estar, de fazer política. O povo está na rua. A economia brasileira vê os números a descer de forma vertiginosa. Isto não é apenas político ou jurídico. Isto também toca numa economia poderosa e num mercado apetecível. E também vai chegara Portugal.

Certo modus operandi entre os grandes empresários, mormente os designados “do regime”, e os políticos tem os dias contados. Tem que acabar. Não podemos viver reféns do interesse próprio de um pequeno número de preferiti. Não é saudável para nenhum sistema político democrático e tem efeitos nocivos óbvios para a economia.

O mundo, em teoria, deveria mover-se pelo mérito e pela livre concorrência. O mercado deve premiar quem é bom e deve rejeitar quem não consegue competir dentro de sãs regras. Isto é a social democracia em que acredito. Que aceita num mercado de concorrência, mas que cria mecanismos de salvaguarda aos mais vulneráveis. Não podemos ficar reféns de uns quantos poderosos. Esse tempo acabou. Tem que acabar.

O principal ingrediente para uma economia funcionar é a confiança. A confiança nas instituições e a confiança de que o mercado pode funcionar pelo mérito de quem produz e não pelo favorecimento.

Lula da Silva foi um Presidente marcante no Brasil. Popular à esquerda e em todo o mundo. Ainda assim na arrogância que alguma esquerda sempre tem, há quem não admita que um deles possa perder o norte e tenha feito aquilo que no passado justamente criticou. Basta rever o que, o então candidato perdedor, Lula da Silva dizia de Fernando Collor de Mello. Por isso temos as reações a chutar para canto da parte de determinados partidos políticos em Portugal. Por isso o silêncio ensurdecedor de certos atores políticos por cá.

Bem sei que se tenta agora colar a marca da corrupção à direita e à esquerda naquele país. Não digo que não. Não obstante, no meio de toda a confusão, das tricas e atropelos judiciais, dos apoios e afins, é antiético, ou melhor é vergonhoso, nomear uma pessoa Ministro apenas e só para o “salvar” de uma investigação judicial.

É imoral.

Podem dar as voltas filosóficas todas que entenderem.

É legal? À luz da lei brasileira pode ser, mas mesmo entre a magistratura judicial brasileira não é unânime.

Contudo chamemos “os bois pelos nomes” é imoral.

Como dizia e bem o próprio Lula da Silva em 1988: "No Brasil é assim: quando um pobre rouba ele vai para cadeia, mas quando um rico rouba vira ministro".

Quem melhor que o próprio para ser coerente consigo mesmo?