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Expresso

&conomia à 2ª

Uma banca a abanar

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São já muitos os episódios. A novela parece não ter fim. BPN, BPP, BES e agora Banif. Pelo meio rumores, histórias e suposições. A nossa banca tem muito que se lhe diga.

Podemos dar as voltas que se quiserem dar, mas é inelutável é que não podemos viver sem banca comercial. É crucial para a nossa economia se mover. Não são apenas os empréstimos às famílias e às empresas, ou seja o crédito, que oleia a engrenagem económica. É também o processamento de salários, mas sobretudo a guarda das poupanças dos aforradores.

Quando uma instituição bancária tem a sua porta dos seus balcões aberta, as pessoas devem entrar com a certeza de que ali ficará seguro o pecúlio, que se esforçaram por acumular. O colchão não está guardado, nem tem seguro. Entre roubos e desastres naturais, o dinheiro debaixo da cama não rende e corre risco de se deteriorar ou desaparecer. Na verdade, hoje em dia, o dinheiro depositado, nos tradicionais depósitos a prazo, rende quase nada. Todavia, se relativamente às taxas de juro nada podemos fazer, relativamente aos nossos depósitos, precisamos que esteja assegurado que não iremos acordar um dia e focando o multibanco nos deparemos com saldo nulo na conta, sem que nada o justificasse.

Vem isto a propósito da recente deflagração em torno do Banif. O erro da TVI teve consequências negativas sob diversos ângulos. No momento em que uma notícia é posta a circular de que um Banco pode fechar, não há comunicados ou estratégias de comunicação que resistam. A corrida aos depósitos começa e a sua fuga é quase imediata, sobretudo na idade da Internet.
Não obstante, dada a fragilidade do sector financeiro, não foi apenas a TVI a desencadear esta “crise” no Banif. Os rumores são antigos e a falta de capital disponível na economia aumenta este risco.

Começamos cada vez mais a perceber que a nossa banca tem dois problemas evidentes. Um, é desproporcionada para o país que temos, abundam balcões, são muitas instituições para o número de empresários que possuímos. A falta de investidores é gritante. Já não vivemos de bancos familiares. As famílias de banqueiros que existem estão em bancos de reduzida dimensão, que actuam em segmentos de mercado muito específicos, veja-se o caso dos Rothschild. Ao mesmo tempo, os canais tradicionais da banca estão hoje muito obsoletos, ponto em que acompanho a visão de Jardim Gonçalves. Bem sei que é um nome que cria muitos anticorpos, porém, a visão e agudeza do espírito empreendedor é maior do que os defeitos do homem que a teve.

Hoje o banco está no nosso smartphone e no nosso computador, tablet entre outros dispositivos. Não há lugar para grandes balcões e colados uns aos outros. Só na minha rua conto 14 balcões. É extraordinário que possa existir mercado para tanta oferta.

A banca on-line é cada vez mais uma realidade incontornável e um sinal dos tempos. O cheque parece de um passado distante e o dinheiro em numerário poderá começar, talvez mais cedo do que se pensa, a ser anacrónico. A banca, tal como outros sectores, irá cada vez mais ser baseada em plataformas digitais, acessível sob múltiplas formas sem restrições de horários ou moradas físicas.