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&conomia à 2ª

Diversificar nas exportações

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De acordo com dados do INE, divulgados na semana anterior, as exportações portuguesas sofreram um decréscimo na ordem dos 2,5%. Depois de um bom desempenho nos últimos anos, esta quebra deve ser analisada e ser objecto de reflexão.

Apesar de registar uma ligeira subida das exportações para os países da União Europeia, Angola revelou-se a principal responsável por esta quebra.

A nossa forte ligação comercial e económica com Angola e também com o Brasil tem razões que a nossa história explica. A língua, a cultura e um passado de laços, por vezes conturbados, são razão suficiente para a aposta das empresas portuguesas nestes mercados.

No entanto, os ventos que sopram de Angola não são auspiciosos. A austeridade não é exclusiva da zona euro. Atingiu e de que maneira Angola. A quebra da cotação do crude, nos mercados internacionais, foi um rude golpe para uma economia onde o petróleo domina.

Não sabemos o dia de amanhã, mas sabemos que hoje, viver ao sabor de mercados de risco elevado não é avisado. Pensemos nos momentos complicados que vivem as 56% de empresas, que exportando para Angola o fazem em exclusivo. É certo que a carência de infra-estruturas é elevada. O sector da construção civil viu em Angola uma escapatória para um mercado português em crise. Também sectores como a alimentação, transportes e muitas consultoras procuraram em Angola expandir o seu volume de negócios. Muitos são os casos de pessoas que passaram os últimos anos cá e lá. Entre vistos de trabalho e novos contratos.

Mas esta quebra em terras angolanas, obriga a inflexões cá. Não se trata de virar costas a Angola, num momento difícil, que fará a economia crescer, mas é urgente, hoje como sempre, diversificar. Diz a sabedoria popular que não se devem pôr os ovos todos no mesmo cesto. Os dados do INE dizem-nos que 64% das empresas portuguesas que exportam fazem-no apenas para um mercado em exclusivo. Este é um número que nos deve fazer pensar, pois revela uma economia exposta ao risco, que assim se encontra concentrado. O grau de dependência, a falta de um Plano B, coloca em risco um crescimento que se quer próspero.

Os desafios em matéria de diplomacia económica são por isso elevados. Não é o Estado que fará e abrirá novas rotas e mercados às nossas empresas, o trabalho mais difícil terão de ser elas a fazê-lo. No entanto, cabe ao Estado ajudar, seja através da AICEP, que tem procurado abrir portas de novos mercados, ou das nossas embaixadas, os nossos empresários a chegar a bom porto.

A nossa Diáspora, que poderia funcionar como “mola” para abrir novas portas, é, o que se deve lamentar, muitas vezes esquecida neste caminho em direcção ao exterior. O que é português é bom e quem melhor do que um português, alguém que conhece os produtos, nalguns casos desde a infância, para ser o “embaixador” da marca Portugal. A produção nacional tem qualidade e pode ser competitiva em qualquer mercado no mundo. Precisa é de ultrapassar as barreiras à entrada num novo mercado, que às vezes começam em casa. Com diplomacia, apoio e conhecimento do terreno económico, social e político do mercado-alvo as probabilidades de sucesso serão sem dúvidas maiores.

Bem sei que agora a agulha aponta para o consumo interno. Mas é ilusório que uma pequena economia aberta ao comércio poderá ser resistir sem exportar.