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Expresso

A hora do Presidente

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O tempo passa. Estamos perante um impasse político. Em causa estão as normais regras democráticas e o surgimento de novas formas de encarar o sistema político.

Não há volta a dar, nem permite que se finja que tudo mudou, continuando na mesma. Não continua. O Parlamento está dividido. O sistema político bipolarizou-se.

O centro político, como o conhecíamos, está em processo de esboroamento.

A Assembleia da República pronunciou-se. Agora a bola está no campo do Presidente. Já começaram as paradas, à saída das audiências, em Belém. Parceiros sociais, confederações, sindicatos, Partidos, personalidades. O Presidente tem o seu tempo e tomará a melhor decisão, avaliando a informação de que dispõe e agindo de acordo com a sua consciência.

No entanto, sem saber de antemão o que escolherá o Presidente Cavaco Silva, podemos tentar perceber como ele pensa. E para além da questão política, não duvido que as contas em Belém, se façam sobretudo quanto a impactos económicos.

Por mais personalidades que participem no processo de tomada de decisão, quer aconselhando, quer tentando influenciar o resultado, Cavaco Silva fará as suas contas. O que será mais prejudicial ao país e à nossa economia? As novas medidas de um Governo frágil e sem um apoio consistente ou um Governo de gestão a viver com Orçamento a duodécimos?

Sim, isto é política. Mas desenganem-se, isto é, também, muita economia.

Cavaco Silva foi claro sobre o que queria e não queria. Sobre a necessidade de respeito pelos compromissos assumidos por Portugal com a Europa e outras entidades externas.

Não lhe será de todo indiferente, para além das considerações políticas sobre um acordo a quatro, o impacto que as medidas pré-anunciadas terão nas contas públicas. Fala-se de devolução de salários da Função Pública com um impacto na ordem dos 450 milhões de euros, na eliminação da sobretaxa de IRS, na ordem dos 400 milhões, no aumento das pensões, na ordem dos 100 milhões, na baixa do IVA da restauração com impacto de 260 milhões de euros e no corte da TSU que pode levar a um impacto de 100 milhões.

São muitos milhões a subtrair à receita e a adicionar à despesa. Objectivo: aumento do consumo. Certo. Todavia, a tantos milhões que se devolvem, podemos perder o caminho e caso ocorra um novo choque externo, podemos ter de aplicar medidas que pensávamos ter deixado para trás nos anos de 2011 e 2012.

A grande questão está aqui. E é aqui que o Presidente tomará a sua decisão. Cavaco Silva ou escolhe Maria Luís Albuquerque em gestão ou Mário Centeno em modo de cenarização variável.

Tem ainda a possibilidade, mais remota, de um Governo de Iniciativa Presidencial. Certo.

Não obstante é a economia e o seu desempenho que irão determinar o futuro político. E a nossa economia não pode ser um tubo de ensaio, pois Portugal não é o laboratório dos cientistas macroeconómicos.

PS – Mas que mundo é este onde não podemos ir a um concerto, a um restaurante ou a um estádio de futebol? O que vimos em Paris é um ataque ao maior valor que temos na Europa: a liberdade.