Siga-nos

Perfil

Expresso

Liberdade de escolha

  • 333

A vida é feita de escolhas. Cada um de nós é confrontado, diariamente, com múltiplos momentos em que precisamos de decidir. Desde que acordamos, até ao que iremos vestir, até ao que iremos comer, até à forma como iremos trabalhar, o que iremos fazer, passando pela tomada de decisão de comprar um carro, uma casa, uns sapatos, uma oportunidade de negócio, mudar de emprego, optar por um curso, decidir emigrar, inscrevermo-nos num partido, ir à praia, ligar a um amigo, pedir em namoro a miúda que gostamos. São múltiplas as escolhas que podemos tomar. E em liberdade.

Somos livres para escolher, mas prisioneiros das consequências. É uma frase intemporal e que espelha bem a tomada de decisão.

Vivemos num tempo de escolhas. O 25 de Abril permitiu-nos viver assim, em Democracia. Este é um ano para cada um escolher o nosso futuro colectivo. Ossos da Democracia e que devemos sempre lembrar e saudar.

É por isso que me custa e muito ver declarações como as de Jerónimo de Sousa ou do Poeta Alegre, só para citar alguns exemplos desta semana. Jerónimo, um político cortês e que gera natural simpatia referia-se ao futuro do país e a futuras coligações ou alianças nas presidenciais com a necessidade de defender a Democracia e a Constituição. O Poeta Alegre num acampamento em Santa Cruz apelava a que corressem com eles, entenda-se a Direita. É esta arrogância de esquerda que mais ameaça a Democracia e a Constituição. Este apoderar-se dos valores de Abril e apontar o dedo de forma autoritária contra quem não pensa como a matriz marxista ou socialista. Mas existe um perigo real para a Democracia se elegermos um Governo de Direita ou um Presidente que não seja de Esquerda?

Abril é de todos. Eu gosto e muito de ler sobre esse período, de ver documentários, de ouvir o Zeca Afonso, de ler os poemas de Ary dos Santos e também de Manuel Alegre. Vibro com o “E depois do Adeus” de Paulo de Carvalho. Gosto de sentir as bases e os valores de Abril. O 25 de Abril foi uma bênção para este país. Não o vivi, não era nascido, mas agradeço a todos esse dia, um dia que me permite viver numa Democracia, com qualidades e defeitos. Um dia que me permite escrever, discutir, conversar e expressar a minha opinião.

É mesmo um tempo de escolhas aquele que iremos enfrentar. Daqui a pouco mais de um mês temos umas eleições legislativas.

São umas eleições importantes, pois delas sairá a próxima Assembleia da República que irá formar Governo e irá liderar este País.

O Presidente Cavaco Silva apelou também esta semana a mais discussão programática e menos crispação ou questiúnculas. Totalmente correcto no apelo que faz. O tempo de debate será importante para o esclarecimento da população.

Entre cartazes e debates, importa discutir o que vai mudar na nossa vida. O que cada um se propõe fazer no cenário actual. Cenário político e económico. Não nos iludam com promessas, nem números fantasiosos. Precisamos de debate sério e frontal. E que pena mais esta confusão em torno dos debates.

Somos um País que já sofreu muitos erros, muitas más decisões, mas que tem futuro e tem muito para melhorar.

Depois teremos as Presidenciais. Tem ofuscado as eleições legislativas. Tem sido um corrupio de nomes. Com a liberdade que sinto, olho para o quadro actual e penso que os dois nomes, da Direita e da Esquerda que mais se adequavam ao cargo não irão a jogo. Eram os dois nomes com mais experiência, mais sensibilidade social, mais capacidade de diálogo e força da palavra. Ficamos sem António Guterres e Pedro Santana Lopes. É a vida. A vida é feita de escolhas. Respeitemos quem escolhe o seu destino, com o espírito de missão.

A liberdade é de todos. E serve a todos, para decidir, para criticar e para elogiar. Viva sempre o 25 de Abril.