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Expresso

O ar é de todos

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O ar é de todos e não paga imposto. Por enquanto…
O Papa Francisco deu o pontapé de saída para o tema que deve preocupar toda a humanidade. Na sua Encíclica LAUDATO SI’ o papa chamou a atenção para a ameaça do aquecimento global.

Isto não é apenas conversa. Isto não é apenas um discurso bem-intencionado. Isto não é um novo documentário a la Al Gore.

Isto é um tema de todos e que a todos diz respeito.
O Papa Francisco coloca mesmo o dedo na ferida. O mundo é hoje mais quente. Esse aquecimento traz consequências climáticas muito preocupantes e gravosas.

Na Encíclica o Papa aponta para o problema da poluição atmosférica como causa de mortes humanas prematuras. E alerta para a construção de uma grande lixeira em que se tornará este mundo.

É muito importante começarmos a olhar para estes temas com o devido cuidado.

Obama percebeu o estado do mundo e surgiu na semana passada com um ambicioso plano de energia limpa, que visa a redução das emissões de dióxido de carbono, na ordem dos 30%.

Na Europa, onde se fixou o objectivo 20-20-20 (20% do consumo abastecido por energias renováveis, 20% de redução das emissões de gases, com efeito de estufa face a 1990, e 20% de eficiência energética a atingir em 2020) há muito que se pugna por um acordo global de redução de emissões que tarda em chegar, mas com o novo plano de Obama e o acordar da China, para os problemas ambientais, poderemos ter reunidas as condições para um acordo histórico que preserve o planeta onde todos habitamos. Veremos se será na Conferência de Paris que terá lugar no final deste ano, mas uma coisa é certa quanto maior a demora, maior o risco que a humanidade corre.

Não sei se vão chegar as trevas. Sabemos que os estudos apontam para um aquecimento acentuado e que esse aquecimento global trará consequências ambientes, económicas e sociais. Tremendas consequências.

Bem sei que a Encíclica papal causa algum desconforto em certos sectores económicos e políticos. Os lobbys sabem que muito está em jogo, os combustíveis fósseis e os sectores com uso intensivo de energia irão naturalmente resistir à mudança.

Facto é que estes temas vão entrar em casa de todos. Sobretudo quando a água começar a falhar na torneira.
E a água será, como a ONU já tem vindo a alertar, um recurso cada vez mais escasso. Apesar de o planeta ser constituído por 75% de água, apenas 2,5% é potável, ou seja, própria para consumo humano e da fauna terrestre. São dados que nos devem fazer pensar.

A gestão sustentável da água é fulcral, devemos olhar para a água como um bem escasso a proteger. E isso começa na nossa própria casa. A água que gastamos nos duches, descargas de autoclismo e a lavar a loiça é um consumo que pode ser minorado com pequenas alterações. Fechar a torneira é um hábito, que pode e bem ajudar a preservar esse bem tão precioso.

Mas se em casa devemos ser moderados no consumo da água, dos decisores políticos devemos exigir medidas que protejam este planeta maravilhoso a que chamamos Terra.

O ar é de todos. E a todos pertence. A água é parte essencial do ser humano. Que muitos leiam e oiçam o Papa Francisco. É mais do que um vigário a dar a missa. Este não é apenas um tema de fé, é um tema do futuro do Homem.