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Expresso

Que belo Estado, senhora Nação

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Decorreu na semana pretérita mais um debate do Estado da Nação. Por sinal o último desta legislatura.

Não deixa saudades, o Estado da Nação entenda-se. Bem sei que na cabeça das pessoas e dos políticos predominam as férias, mas foi penoso ouvir o que se passou na passada quarta-feira.

Se a Nação está neste Estado, pobres de nós portugueses. Os Partidos parecem parados no tempo. Entre culpas, desculpas e passa culpas, não conseguimos ter palavras de futuro, projectos de arrojo e novas formas de enfrentar os desafios que se sucedem todos os dias.

Já nem entro na questão dos protagonistas do debate, a questão vai mais além do bom ou mau orador, da pessoalização. É uma questão de força anímica e espírito. É uma questão de projecto e de visão. Todos, sem excepção, estão fechados sobre si mesmos, a falar entre si, sem chama, no circuito fechado da redoma do Parlamento.

A Grécia é um factor de instabilidade, o projecto europeu é uma incógnita, mas que raio, temos um país para governar e projectar no futuro. Não podemos ficar reféns das ordens, ou para alguns diktats, de Bruxelas.

Onde está o espírito disruptivo que a Política e os Políticos devem ter? Onde está o pensamento estratégico para a nossa Nação? Onde pára a centelha de inteligência que nos tirará do marasmo?

Onde está a capacidade de apostar em áreas estratégicas e procurar compromissos? As sondagens estão aí e não apontam vitórias triunfais para nenhum dos lados.

Esta foi uma legislatura exigente, mas o cansaço quer de quem governa, quer de quem está na oposição é por demais evidente. O invariável recurso ao verbo mentir invadiu a Assembleia da República, já está em desuso a inverdade... É tão banal, que já ninguém leva a mal. Faz parte do léxico político.

Nesta fase era bom que os Partidos reflectissem, com a devida profundidade e inteligência as quais parem boas ideias para os tempos vindouros, sobre o que nos deve mover enquanto Nação. Mais do que lutas de nomes, guerras de cargos e sinecuras, era salutar que nos dessem propostas concretas e não vãs promessas ou futuros quiméricos. Assim como assim, os nomes de muitos deputados são ilustres desconhecidos para os eleitores. Não vou na onda de Rio, de apontar as cadeiras vazias como solução para a abstenção ou o voto em branco, mas era bom que quem quer ser Deputado apontasse o que quer para a sua Nação e não se sentisse escudado pela lista.

Já agora, gosto de ver que há sinais de que os deputados autarcas já vão deixar de existir, bom seria também que quem for candidato a Primeiro-Ministro apresente o seu Governo antes, ou pelo menos os putativos candidatos aos principais ministérios, como Finanças, Saúde, Administração Interna e Justiça. Sobretudo quem será o nosso futuro Varoufakis ou melhor Tsakalotos. Era uma lufada de ar fresco e uma forma de perceber quem nos vai calhar na rifa.

Até lá prossegue corrida aos lugares a bom ritmo.