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Expresso

&conomia à 2ª

É a economia, estúpido

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O resto é conversa. A frase já dita e repetida foi do estratega de Bill Clinton nas eleições de 1992. James Carville, especialista em marketing político, que gizou a estratégia ganhadora de Clinton sobre Bush Pai.

Num tempo em que se volta a perspectivar um embate Clinton Vs Bush, fazendo os EUA lembrar uma monarquia electiva, é bom relembrar que a Economia ainda continua a determinar a decisão popular.

As discussões acesas nos Conselhos Europeus e nos Eurogrupos em torno do futuro da Grécia serão marcantes para as decisões nos próximos tempos, mormente os actos eleitorais que ocorreram nos países europeus a breve trecho. Não há grande volta a dar. Se a Europa cede teremos uma certa esquerda a dizer: estão a ver? Podemos fazer diferente. Se a Grécia capitular, teremos uma certa direita a dizer: já perceberam que não podem entrar em ilusões?

É deste tipo de linguagem maniqueísta que se fará o próximo debate ideológico. Estamos confinados à postura perante a palavra maldita: austeridade.

É o alfa e ómega do debate europeu. E sim, é a Economia que contará para as decisões, dos eleitores, em Outubro. As pessoas sentem que perante tantos sacrifícios ou notam alguma melhoria já, ou mandam estes dar uma volta e pedem novo elenco. Por mais que exista trabalho para mostrar, por mais que se pense que se salvou Portugal da bancarrota, importa e muito o dia de hoje e o sentimento do que virá depois. O que conta para os cidadãos é o rendimento disponível, não a taxa de crescimento económico ou a promessa incerta de futura devolução fiscal. Há o célebre ditado francês que os franceses têm o coração à esquerda, mas têm a carteira à direita.

Nesta encruzilhada teremos a economia a dominar. Primeiros sinais? A subida de receita do IVA e do IRS, que cresceram 4,7% nos primeiros cinco meses face ao período homólogo, podem vir a facilitar a devolução da sobretaxa. Será a tempo de obter efeitos eleitorais? Pois. Não sabemos. Sabemos que as previsões de crescimento até são encorajadoras, todavia estamos, aos olhos dos analistas dos mercados, ligados ao destino grego. Com cofres cheios ou vazios, com mais ou menos pedregulhos a empurrar, mas não continuamente como coube a Sísifo, como castigo por tentar ludibriar os deuses. A Europa tem um teste enorme aos seus valores, sobretudo a solidariedade. Mais um, a juntar ao problema da gestão do fluxo migratório, que põe em stress os países europeus de entrada e traz à tona os egoísmos nacionais perante um problema comum. Andamos a adiar de semana para semana. A brincar com o fogo. Mas esta economia em rede precisa de calma e estabilidade.

Em suma, será mesmo pela economia que se vai reger a vida de todos.