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Expresso

Olival ameaçado?

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Não, não estou a falar do campo de treinos do Futebol Clube do Porto, em Vila Nova de Gaia. Esse, apesar da indisposição e de algumas manifestações, ainda lá anda.

Aquilo a que me refiro são as notícias que nos chegam de Itália, neste caso a bactéria, chamada Xylella, fastidiosa, que grassa nos olivais do Sul de Itália, nomeadamente na região da Puglia. Esta bactéria que mata as oliveiras, estima-se que cerca de um milhão de oliveiras poderão estar infectadas, está a deixar os produtores italianos de azeite em estado de pânico.

A Comissão Europeia tem acompanhado os acontecimentos, tendo abandonado as medidas drásticas inicialmente propostas de abater cerca de um milhão de árvores, temendo que a doença se alastre para norte e para outros países. Estamos perante uma externalidade negativa da globalização, na medida em que a doença veio de plantas infectadas importadas da Costa Rica. No mundo global não são somente as doenças humanas que se propagam com maior rapidez, também as plantas estão sujeitas a sofrer dos mesmos males. Por tudo isto é importante a acção conjunta dos países europeus coordenados pela Comissão Europeia, para fazer face a problemas comuns. Uma resolução frutífera só poderá ser obtida através de medidas comuns de combate à doença e também na acção preventiva com inspecções sanitárias nas fronteiras comuns da União, nomeadamente no que as importações diz respeito, ou não tivesse a actual União começado como uma união aduaneira…

As consequências económicas desta praga que ameaça o olival, podem ser dramáticas, os números que são conhecidos apontam para 95% da superfície oleícola mundial se situar na Bacia Mediterrânica. Sendo que Espanha, Itália, França, Grécia e Portugal, representam 72% da produção mundial. Como se subentende por estes números, esta é uma actividade importante e que merece redobrada atenção.

É um sector que tem vindo a crescer, sobretudo em Portugal, com impacto significativo nas exportações nacionais. É claro para todos que com os nossos terrenos e a qualidade que este sector apresenta com tecnologia e o know-how próprios, bem como as condições climáticas conjugam-se para que o futuro desta fileira agrícola seja próspero. Os vários prémios internacionais que as marcas portuguesas têm recebido falam pelo sector. Assim como a duplicação de produção da última década, sobretudo pelo investimento na região do Alentejo, com o olival de regadio potenciado pelo Alqueva e respectivos sistemas de rega da EDIA, situação que acompanha o aumento do consumo global de azeite um pouco por todo o mundo, com especial incidência nos Estados Unidos da América, no Brasil, no Canadá e na Rússia, países não produtores, mas importadores de azeite.

No entanto, não é apenas o aspecto económico do azeite que se reveste de particular importância é também a sua pertença à nossa cultura, bem como do Mediterrâneo, ou não fosse um dos ingredientes chave da dieta mediterrânica, para mais elogiada pelos seus efeitos benéficos para a saúde.

A aposta neste sector, obriga a olhos e sensores ligados para possíveis perturbações que devem permitir prevenir e não apenas, como é apanágio nacional, reagir.

Ainda recentemente, foi no nosso país que descobriram uma nova fórmula atípica, mas de sucesso. Investigadores de instituições de ensino superior, nomeadamente do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, da Escola Superior Agrária de Bragança, da Universidade de Évora e do Instituto de Ciências Tecnológicas Agrárias concluíram que a rega deficitária do olival aumentava a produção e a qualidade do azeite, ao mesmo tempo que poupa água e custos. Uma descoberta inovadora e revolucionária num sector que tanto precisa de ser eficiente.

Cabe à Europa, sobretudo através da Comissão Europeia, facilitar o apoio e investimento nas acções concertadas que são necessárias para debelar este problema grave. É nestes casos que uma resposta concertada para prevenir os problemas de contágio deve ser prioritária. É um mercado e uma marca cultural preciosa para os países do sul e que está sob ameaça.