Siga-nos

Perfil

Expresso

Leiam os meus lábios: populismo do pior? Não, obrigado

  • 333

E assim começa. A festa e a festança, desta vez não é a Dona Constança, mas é o Dr. António Costa. Não resistiu à tentação, se calhar foram as sondagens quebradiças, ou então a mera necessidade de aparecer. O certo é que já está na expectativa das pessoas a descida do IRS.

É uma tentação séria. Os cofres cheios e os bolsos vazios, as trapalhadas e os SMS, as confusões cá e lá. Todos procuram ver quem consegue cometer mais erros. Mas entre trapalhadas e falsas esperanças, penso que quem deve resistir à tentação são os cidadãos. Acabámos de sair do coma. Batemos praticamente no fundo, sem piedade. Passámos pela amargura de termos emissários de outras instituições estrangeiras internacionais a ditar a nossa política económica. Certo que a nossa política orçamental vive muito dos humores e amores europeus, mas não precisávamos de ter avaliações escolares, perdão, avaliações periódicas de cumprimento de metas, perante uma Troika que nos resgatou.

Todavia, o apelo que faço aqui é que nos tratem com respeito e seriedade intelectual. Não vale a pena prometerem-nos o céu. Não é sério, não é honrado, nem merecemos que nos tentem vender mais uma miragem. O país precisa de esperança, porém não precisa de mentiras e de falsas promessas. Não queremos ouvir a típica frase do dia a seguir às eleições: afinal isto estava pior, do que pensávamos, e lá teremos que pôr os 150 mil empregos em espera e de deixar o choque fiscal para as calendas gregas. Não falo de cores partidárias. Todas já fizeram e disseram asneiras. Todos já prometeram e não cumpriram. Mas, que diabo, estamos em pleno século XXI. Não pode ser, como no passado, em campanha vale tudo e depois de instalados no poleiro logo se vê.

Não nos tomem por parvos. Populismos e simplismos baratos, no tempo que em que vivemos, são um prego no caixão da credibilidade do sistema partidário, já de si bastante fragilizado, neste Portugal pós-troika. O regime tem os níveis de confiança em baixo, mas não se conhece uma democracia com respeito pela liberdade dos cidadãos, que garanta os seus direitos e faça respeitar os seus deveres, que não tenha partidos. Não se pode ganhar eleições custe o que custar, sem olhar a meios, pensando apenas nos fins, ou seja, obter o poder.

Depois de um bom ponto de partida, para discussão e debate, com o cenário macroeconómico apresentado pelo PS, não podemos ceder às tentações eleitoralistas. Centrar o debate onde deve estar. A austeridade não foi uma linha política feita com gosto e prazer. Não é fácil cortar pensões, aumentar impostos e pedir sacrifícios. Não é fácil porque quem decide é também um ser humano e vive a vida como todos nós. Tem família, vai ao supermercado, percebe a realidade dos seus concidadãos. E esta realidade que foi dura, muito dura, que podia ter sido mais flexível em alguns pontos, não pode ser desbaratada. O esforço colectivo hercúleo que foi e está a ser feito não merece ser desbaratado.

Tenham todos, sem excepção, da esquerda à direita, consideração por nós cidadãos.