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Turismo e Insegurança

Bruno Mora, doutorando da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, Membro da APFEUAlg (Associação de Pós-graduação da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve)

A instabilidade e incerteza do mundo actual colocam a problemática da segurança no centro do debate das sociedades modernas. A sua centralidade é indissociável da sensação de vulnerabilidade da sociedade a um conjunto de novas ameaças e riscos que aumentam o sentimento de insegurança dos cidadãos.

As chamadas ameaças "tradicionais" concorrem agora com "novas" ameaças, com carácter assimétrico e transnacional e com elevada imprevisibilidade quanto à sua emergência (tempo, local e forma), intensidade e ritmo de evolução. Desde os ataques de 11 de Setembro de 2001 ao World Trade Center, em Nova Iorque, que o mundo está mais alerta para esta problemática.

Para além destas novas ameaças transnacionais, mantêm-se e transformam-se as ameaças tradicionais emergentes no plano interno, consequência do aumento do urbanismo, da multiplicação dos espaços de anonimato e das transformações sociais, culturais e económicas, associadas à criminalidade e insegurança.

Os efeitos da violência são extremamente negativos para a indústria do turismo, reduzindo-se a procura por países que possuem essa característica de forma mais visível. A participação do governo, população e instituições ligadas ao turismo é de fundamental importância para reduzir os índices criminais, possibilitando melhores condições de permanência aos turistas e à população local.

Francesco Frangialli, secretário-geral da Organização Mundial de Turismo, nas comemorações oficiais do Dia Mundial do Turismo, realizadas em Lisboa em 2006, incluiu, entre os nove pontos que considera essenciais para o desenvolvimento turístico em termos mundiais, prevenir situações de insegurança e contribuir para promover a paz entre nações.

O turismo é hoje o sector com maior potencial de crescimento à escala mundial. No entanto, numa época em que os consumidores são cada vez mais exigentes e sofisticados e onde a concorrência nacional e internacional é cada vez mais forte, a superior qualidade dos produtos e serviços já não é condição suficiente para garantir o sucesso dos destinos. A procura turística é extremamente vulnerável a factores de insegurança e instabilidade social e política, factores esses que terão que ser incluídos em qualquer cenário de desenvolvimento.

A actividade turística caracteriza-se pelo envolvimento de diferentes sectores económicos, influenciando o desenvolvimento das localidades, a criação e multiplicação de rendimentos e emprego, e operando como dinamizador do fluxo de recursos monetários aos demais sectores e à actividade comercial e empresarial como um todo.

Consciente da crescente importância do turismo na economia nacional, o Governo adoptou o turismo como área de intervenção prioritária.

O turismo representa actualmente cerca de 11% do PIB português e emprega mais de 500.000 pessoas, tendo uma capacidade real de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população e para a progressão da coesão nacional, através da promoção e desenvolvimento sustentável em termos ambientais, económicos e sociais.

É possível observar como alguns destinos turísticos têm sido prejudicados pela instabilidade política e militar internas ou por conflitos regionais em países vizinhos, vendo os seus fluxos turísticos baixarem. Estes países foram obrigados a converter-se em destinos baratos e a ter que procurar outras formas de diversificar a sua economia para complementar a oferta turística.

Outros, no entanto, têm beneficiado da imagem de destinos seguros, bem como da instabilidade de terceiros para aumentar a sua quota de mercado no turismo.

Num estudo realizado em 2006 sobre a Percepção de Segurança Pública pelos Turistas da Região do Algarve, elaborado pela Escola Superior de Gestão Hoteleira e Turismo da Universidade do Algarve em parceria com o Comando distrital da PSP de Faro, e apresentado durante as III Jornadas de Segurança Pública no Algarve, os dados recolhidos revelam que os turistas estrangeiros que visitam a região têm uma percepção muito positiva da segurança na mesma.

De acordo com o mesmo estudo, a maioria dos inquiridos escolhe o Algarve como destino de férias, não só pelas características climáticas e ambientais da região, qualidade das praias e alojamentos e hospitalidade dos algarvios, mas também por se sentirem em segurança. A Europa é reconhecida como continente de eleição em termos de segurança, e o Algarve como uma das regiões mais recomendadas.

Para um país ou destino turístico, o impacto negativo da insegurança depende da forma como o seu todo reage à mesma e o maior ou menor aproveitamento que terceiros farão desta. Cabe a cada país, em conjugação com os demais, a responsabilidade de minimizar o impacto negativo dos factores de insegurança e actuar solidariamente.

A análise das grandes tendências da criminalidade em Portugal assenta no pressuposto de que o conhecimento aprofundado do fenómeno criminal é um dos elementos essenciais à definição de um novo conceito de segurança, assim como da escolha do conteúdo e do processo das mudanças a implementar.

Neste contexto, o papel da administração pública central, regional e local, em conjugação com as demais instituições públicas e privadas que actuam neste âmbito, é determinante na criação das condições internas que garantam ou minimizem o impacto negativo da insegurança e o respectivo clima de confiança que se transmite aos mercados emissores de turistas e visitantes.

Clique na imagem para visitar o site da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve

Este texto é da inteira responsabilidade do autor e da entidade representada.