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Crescer no Brasil

Maria Luísa Vasconcelos, Professora da Universidade Fernando Pessoa

O nível de exportações de mercadorias portuguesas para o Brasil atinge hoje cerca de 300 milhões de euros, o que o torna o nosso décimo primeiro mercado, ou terceiro quando apenas considerados os parceiros extra-comunitários. Este ano de 2010 está a provar-se, além do mais, bastante promissor, com acréscimos homólogos de 67% nas exportações de Janeiro e Fevereiro. Valerá a pena a aposta neste BRIC?

A dimensão do mercado é conhecida e os entraves aduaneiros e não pautais também: elevada carga tributária, designadamente face a produtos idênticos importados o Mercosul; limitações à importação de produtos agro-pecuários; limitações à importação de produtos farmacêuticos; dificuldades no registo de marcas e patentes; alguma contrafacção, designadamente num produto que nos é caro, como o azeite.

Mas, para além das exportações de bens e serviços, que registam também um crescimento contínuo, há também a considerar o nível do investimento português neste mercado, que regista presenças como a Brisa, EDP, Efacec, Martifer, Teixeira Duarte, Lena Construções, CIMPOR, Pestana, Vila Galé, Caixa Geral de Depósitos, Banif, Altitude, WEDO Technologies, Frezie, Simoldes, TAP, Novabase e Sonae.

São empresas de monta, investimentos de monta, ainda mais neste ano de 2010, em que se reconhecem ainda maiores oportunidade para o IDEP no Brasil, pela preparação realização do Campeonato Mundial de Futebol em 2014, mas igualmente pelo planeamento da construção de várias barragens hidroeléctricas e da alta velocidade, entre S. Paulo/Rio de Janeiro.

Pena é que o investimento do Brasil em Portugal tenha uma expressão mais reduzida, excepção honrosa ao investimento da Embraer, que tem vinda a impulsionar o nosso cluster de aeronáutica, e a outros como CSN, Weg Motores, Marcopolo, banca, Odebrecht, Andrade Gutierrez e a Haco.

Para quê tantos nomes de empresas? Para que nos reconheçamos, e a partir desse reconhecimento possamos interagir a nível económico, à altura da nossa história, da nossa afectividade e da nossa língua. A partir daí, o reequilíbrio acontecerá, e o sentido do investimento poderá até seguir o sentido inverso, do Brasil para Portugal, na biotecnologia, nas TIC, aeronáutica, energias renováveis, ou mesmo, na área da distribuição, seja com destino Portugal ou outros mercados europeus.

Claro que é o fazer que é difícil. Mas mais difícil será quando, de rating em rating, já não houver nada para fazer. Mãos à obra. Ou isso, ou sente-se e chore, a despedir-se do rating.

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