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Robotizando

Hiroshi Ishiguro: o homem que se clonou num robô !

Este investigador tenta criar robots que se pareçam tanto com os humanos que as pessoas possam eventualmente não ser capazes de os distinguir de pessoas normais.

Carlos Cardeira

Em 2005, durante o RoboCup em Osaka, tive a oportunidade de assistir a uma conferência do Prof. Hiroshi Ishiguro e fiquei impressionado com o realismo que os seus robôs apresentam. Este investigador tenta criar robots que se pareçam tanto com os humanos que as pessoas possam eventualmente não ser capazes de os distinguir de pessoas normais.

Nessa conferência ele falava-nos das suas realizações, entre as quais, um robô relativamente similar à sua filha de então 8 anos (4 na altura em que projectou o robô). A semelhança do robô com a filha era discutível mas já impressionava.

A sua última realização era uma cópia de uma conhecida apresentadora televisiva. Esse robô impressionava pela sua verosimilhança com a apresentadora. Sentado no seu stand o robô (representando a sedutora apresentadora televisiva) acenava a quem passasse e a maior parte dos visitantes hesitava em saber se era mesmo um robot ou uma pessoa. Ao fim de alguns instantes, apercebiam-se que se tratava de um robô mas a primeira reacção era sempre de hesitação.

Gostei de saber que a semelhança entre um robô e um humano e a forma como as pessoas sentem isso está longe de ser linear. Um brinquedo humanóide até certo ponto parece-se convosco (tem braços, pernas) e por isso colocamo-lo num certo patamar de semelhança. Quando a semelhança tecnológica aumenta, vamos sentindo que o robô parece mais humano, mas quando ele começa realmente a ficar perto do aspecto humano, deixamos de achar que ele parece humano. Parece um boneco, sem vida, algo desagradável de ver. São necessários muitos mais avanços tecnológicos na mesma direcção para que o robô comece realmente a parecer humano. Vencer esta barreira de verosimilhança é difícil e só poucos laboratórios o conseguiram até agora.

A surpresa maior chegou-me há dias ao folhear a Spectrum de Abril. O Prof. Ishiguro criou uma cópia ... dele próprio. É a sua terceira grande realização mediática, o seu clone anda pelo seu laboratório, de alguma forma copia as acções do seu "mestre" e vai testando as interacções entre pessoas e robôs. A semelhança é impressionante.

Há tempos eu falava aqui da tranquilidade que ainda podemos ter em relação a robots humanóides e a possibilidade de termos uma relação convivial com eles. Os tempos do filme Allien, em que o androide Bishop passou grande parte do filme por humano, estão ainda longe de ser realidade. Mas, pelo menos do ponto de vista do aspecto físico, as semelhanças começam a ficar impressionantes.

Mas tranquilizemo-nos, uma coisa é um robô com aspecto humano, outra coisa é um robô com reacções humanas. Ainda há um grande espaço a percorrer até que possamos falar com um robô e interagir com ele sem o distinguir de um humano.Por isso prossigamos tranquilos, se estivermos a falar com alguém, a possibilidade de esse alguém ser mesmo um humano e não um robô, ainda vai sendo igual a "1" !

Para mais informações: http://spectrum.ieee.org/automaton/robotics/humanoids/040310-geminoid-f-hiroshi-ishiguro-unveils-new-smiling-female-android e http://spectrum.ieee.org/robotics/humanoids/hiroshi-ishiguro-the-man-who-made-a-copy-of-himself

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