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Falta de castigo

Ministério da Excelência e Ciência

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José Alberto Quaresma

Trinta alunos por turma? É pouco. Quarenta ou cinquenta, bem cingidinhos, é mais estimulante para novos conhecimentos. Imagine-se o elevado potencial de crianças e jovens, encostadinhos uns aos outros, num contentor...

Nuno Crato, enquanto ilustre convidado para programas televisivos sobre Educação, era um paladino da excelência. Agora, no governo, com o lápis de matemático na mão, executa-a.

A partir do próximo ano lectivo, por despacho do titular do Ministério da Excelência e Ciência (MEC), o número máximo de alunos por turma, do 5º ao 12º ano, passará a ser de 30, quando agora é de 28. E o número mínimo subirá para 26.Já em Agosto passado, no 1º Ciclo (do 1º ao 4º ano), o número de alunos tinha subido de 24 para 26.

A medida foi justificada pela "procura excepcional de matrículas". Entulhar a sala de aula de alunos, no 2º e 3º Ciclos e no Secundário, deve ser também motivada pela previsão de uma procura excepcional de inscrições, de gente que busca a excelência na ciência.

Vão chegar às escolas, que têm as obras de requalificação paradas, hordas de alunos ávidos de conhecimento solidário. Assim ficarão mais juntinhos uns aos outros, a consumirem mais oxigénio por metro cúbico, o que facilita a circulação de um certo ar de conhecimento e de bom hálito.

É sabido que as turmas mais reduzidas promovem a desatenção, a indisciplina, a bagunça, o insucesso. Um aluno, numa sala mais vazia, é obrigado a gritar para o colega do fundo, "é pá em que século viveu Galileu?" perturbando o Galileu que vive em cada professor.

O professor, em turmas com mais alunos, tem a tarefa facilitada. Aproveitando estas novas condições de excelência, a medida de valorização das condições da aprendizagem, despachada pelo nóvel prior do Crato, dará mais tempo ao professor. Em contexto de sala de aula, com os alunos entretidos em animada aprendizagem, pode apostar na sua auto-formação, jogando sudoku, alindando a sua página do facebook, amimando os chats, perante a inutilidade pedagógica do quadro interactivo.

Trinta alunos por turma? É pouco. Quarenta ou cinquenta, bem cingidinhos, é mais estimulante para novos conhecimentos. Imagine-se o elevado potencial de crianças e jovens, encostadinhos uns aos outros, num contentor ou numa espécie de sala de aula.