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Expresso

Falta de castigo

Estatuto editorial da Falta de Castigo

José Alberto Quaresma

O estatuto editorial de Falta de Castigo é elevado. Falta de Castigo entende que educar é uma maçada. É preferível delegar, entregar a exclusividade da empreitada aos professores, aos amigos dos filhos, à Internet, à Televisão, à Playstation, ao Telemóvel, ao IPod. Os pais não devem gastar tempo com as suas minudências.

Falta de Castigo sabe que a tendência da sociedade portuguesa é a criança ter tendencialmente sempre razão. Ainda que, por qualquer razão anómala, o não tenha. É um direito adquirido que nasceu torto. Nada há mais pedagógico do que o reconhecimento da razão antes da idade da razão. Não dizer "não" é um imperativo patriótico. Nenhum encarregado de educação deve traumatizar um filho com palavra tão agressiva.

Falta de Castigo entende que os professores devem fazer um esforço para levar a peito a ampla delegação de poderes que os pais lhes confiaram. É mais excitante moderar algazarras, numa sala de aula, do que ministrar conteúdos didácticos em clima de silencioso enfado.

Falta de Castigo será apoiante incondicional do Ministério da Educação. Se o Ministério consegue, e bem, virar a sociedade contra os professores, desvalorizando a sua função social e dobrando-os para um estado contemplativo, está a poupar muito dinheiro ao Orçamento do Estado para desígnios mais estimulantes. A Educação não tem de ser uma paixão. Muito menos uma pensão. Falta de Castigo dará respostas a todas as dúvidas que, em matéria de Educação, alunos, pais, professores, governantes, autoridades policiais e judiciárias, possam ter ainda que as desconheçam.

Falta de Castigo fará um esforço hercúleo, na educação do nosso povo, para tentar reconquistar o antigo esplendor de Portugal. Falta de Castigo assumirá perante a sociedade portuguesa que, se o não conseguir, a culpa será de outrem e morrerá solteira ou malcasada. Falta de Castigo saberá assumir as suas responsabilidades. E deitar-se ao pé.