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Falta de castigo

José Alberto Quaresma

Coimbra tem menos encanto

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O reitor da Universidade de Coimbra (UC) mandou parar toda a actividade na instituição amanhã, dia 8, entre as 11 e as 13 horas.

A quebra da produtividade vai ser brutal. Estudantes, professores, investigadores e funcionários vão estar durante duas horas sabe-se lá a fazer o quê.

No mínimo a falar bem do governo, a incensar o ministro da Educação e Ciência e a quem nele manda, o ministro das Finanças.

À distinta assembleia juntar-se-ão ainda os directores das oito Faculdades e o presidente da Associação Académica. Gente pouco qualificada.

Não será uma assembleia magna. Será uma assembleia magra. O reitor vai explicar as "implicações dramáticas" dos cortes orçamentais para o Ensino Superior e, em particular, para a UC.

Por mim acho bem que se corte. Tudo a eito. A UC foi durante séculos a única universidade portuguesa. Por lá passou a nata científica e cultural da sociedade portuguesa.

Hoje a Universidade de Coimbra já não tem o prestígio internacionalmente reconhecido de uma Universidade Lusófona, onde se formou à velocidade da luz um governante altamente qualificado como Relvas; nem da Universidade Lusíada onde, à velocidade do som, obteve o canudo, em Economia, o primeiro-ministro, com a provecta idade de 37 anos.

A UC, como qualquer universidade pública, não presta. Serve apenas para gastar dinheiro ao Estado, atribuir uns diplomas a uns badamecos que depois são chutados para o desemprego ou seguem o conselho do eminente chefe do governo e vão para a estranja governar vida.

Então e não é que muitos países, que nestes jovens não investiram um cêntimo, reconhecem-lhes elevadas competências científicas e profissionais? Países estúpidos, certamente.

Faça-se a demolição da Cabra que está ali a marcar, entre outras, duas horas de total abstencionismo. Feche-se a cadeado toda aquela mole de edifícios que vendida ao desbarato atenuava um bocadinho o défice do Estado.

E ponham-se as dezenas de milhar de estudantes na rua, num adeus à vida académica, a cantar alegremente a Balada do 6º ano Médico, de Fernando Machado Soares, composta em 1958/59: "Coimbra tem menos encanto / na hora da despedida..."