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Expresso

Falta de castigo

CLASSE DO(C)ENTE

A classe docente está doente. Foram atestadas, por médicos em ordem, mais de 70 mil doenças a professores, entre Outubro de 2010 e Janeiro deste ano. O Diário de Notícias andou à coca de professores doentes.

A classe docente está doente. Foram atestadas, por médicos em ordem, mais de 70 mil doenças a professores, entre Outubro de 2010 e Janeiro deste ano. O Diário de Notícias andou à coca de professores doentes. Estavam a convalescer em casa ou em ambientes mais esterilizados.

Esta verdadeira epidemia, que grassa, corresponde a cerca de quinhentos e catorze mil dias de baixa. Devia ser atalhada antes que se transforme em pandemia.

Só uma médica, de licença prolongada, assinou à sua conta, 413 baixas. É muita tinta gasta. Mas é deontologicamente irrepreensível. Se a médica estava de licença, teve mais tempo para descobrir doenças nos doentes, perdão, nos docentes, e assinar os competentes atestados. Seria perigoso que estes 413 docentes, com viroses, enxaquecas, dores menstruais, eventualmente infestados de vírus, bactérias e fungos, estivessem em contacto com alunos, colegas, administrativos, contagiando toda a comunidade escolar.

Um docente de Matemática consegue explicar como é que se metem mais de quinhentos mil dias em escassos três meses. É para isso que servem as explicações. Estas também ajudam, através do ensino recorrente, um aluno a subir a nota e entrar em Medicina. E chegar, um dia, a passar muitos atestados.

A profissão docente é contagiante. Talvez por esta razão o ministério tenha deixado às portas das escolas mais de 30 mil docentes. E, não se pense que ficaram a fumar fora do recinto escolar. Não. Fumar mata.

Porque a docência é contagiante, também, o Ministério desencantou uns contratos mensais. É uma medida profiláctica. Docente, que passe apenas um mês na escola, tem menos probabilidades de contagiar. Normalmente o docente anda a estagiar para contagiar.

Há quem pense que o Ministério congelou as carreiras para tratar da saúde aos docentes. Não é verdade. A congelação não cura. A criogenia é uma técnica que permite conservar o corpo, docente, até ser descoberta a cura para a doença. Assim o professor fica ali, sossegadinho, enregeladinho, não chateia. Pode conservar-se dezenas de anos nesta situação. Sem progressão da carreira, perdão, da doença. Mas se tiver sorte pode até morrer congelado. Sai mais barato ao orçamento. É abatido ao efectivo. Um professor efectivo, abatido ao efectivo, é sempre uma alegria para o sibilino ministro Gaspar.

Toda esta situação epidémica foi uma alcinha preparada pela ministra Alçada. Antes de voltar a uma aventura... com Rui Vilar. Quis saber por que havia tantos doentes entre os professores. Há muito que deixara de viver uma aventura na sala de aula e não compreendia, ela  que nunca estivera sob a alçada de um atestado.

Alçada e Crato não se apercebem que doente, mesmo doente, está a esmagadora maioria dos docentes que nunca falta, que se empenha todos os dias, que atura os filhos dos outros, a indisciplina, o desrespeito, o insucesso germinado no berço, a preencher resmas de relatórios e mais relatórios e, ainda por cima, sujeito a quotas, como qualquer verdadeiro cota.

Estes é que são os verdadeiros docentes, perdão, doentes do foro psiquiátrico. Internem-nos. Antes que comecem a fazer figurinhas na escola e nas ruas.