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Expresso

O Vento nas Velas

Pedras nos Jardins Japoneses

Jardim de Kyoto

O gosto pelos jardins, o orgulho na sua manutenção e na sua longevidade, a qualidade dos efeitos estéticos, o conhecimento da história dos jardins, tudo revela uma cultura forte, com brio e estima própria. A lição para nós portugueses e para aquilo que fazemos dos nossos jardins, públicos e privados é eloquente.

Cristina Castel-Branco

No jardim Japonês tudo é sossego e veneração, como se neste espaço misterioso viéssemos encontrar o próprio Mestre do Chá, o Grande Padre do templo ou até o Shogun. Mesmo o tirar dos sapatos e a passagem descalça para os tapetes de palha tatami que revestem completamente o chão, é mais um ritual para nos aproximarmos dos antigos (tudo aqui é antigo, tudo tem história, nada tem menos de séculos ou milénios) que nos séculos passados ali viveram, ali contemplaram as mesmas rochas que agora se nos revelam enigmáticas, quase com vida, em contraste negro com o branco do quartzo penteado.

Marcaram-me, no primeiro contacto, as pedras. Os muros de pedra assente de forma tão diferente da nossa, os pavimentos onde cada pedra foi encaixada na outra como um puzzle sem intervalos, mas como que deixando as formas naturais. Sobre este assunto das pedras há termos próprios porque há técnicas milenares para cada tipo de muro em pedra e a quantidade de termos relacionados com pedras no glossário de termos japoneses indica a sua importância nos jardins e nas construções.

Muitos livros se escreveram e escrevem sobre a disposição das pedras no jardim Zen, os seus significados, as suas formas, e conhece-se toda a história da sua evolução como entes fundamentais do jardim Zen. Foi no ano de 1191 que o Monge Budista Eisai trouxe da China as sementes de chá e dedicou a sua vida a espalhar pelo Japão os princípios da seita Zen Budista em simultâneo com o chá, afirmando que "Zen e chá têm o mesmo gosto".

Depois das pedras, ao entrar nos jardins, admirei-me com o traçado dos caminhos que dão primazia à diagonal, ao traçado quebrado ou à irregular colocação das stepping stones para as quais não encontro tradução senão em japonês, tobi ishi, que foram inventadas por altura da entrada do jardim do chá e do Zen na cultura japonesa. O efeito deste ziguezague é ir descobrindo o ponto para onde avançamos através de diferentes ângulos, o que aumenta o mistério, o interesse e a importância da chegada. Toda a cultura japonesa se baseia neste princípio...

Nota prática: os bilhetes custam 500 yens, em média. O chá custa 400 yen. Em Kyoto há 40 jardins que merecem, inequivocamente, ser visitados, o que aponta para uma visita de pelo menos uma semana se os quisermos ver todos. Para visitar os jardins Imperiais é preciso obter uma autorização especial no Imperial House Hold, que fica no Jardim Imperial no Centro de Kyoto.





Coordenação



Cristina Castel-Branco e João Paulo Oliveira e Costa



Assistência Tecnica



Inês Pinto Coelho e Margarida Paes



Colaboradores



Alexandra Curvelo, Ana Fernandes Pinto, Leonilde Alfarrobinha, Pedro Canavarro