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O Vento nas Velas

Arte Namban

A designação namban remete-nos para um contexto histórico preciso, já que no Japão o termo foi pela primeira vez aplicado aos Portugueses que chegaram ao arquipélago em 1543 (os namban-jin), passando a palavra a ser sinónimo, na História da Arte japonesa, das obras de arte que surgiram após os primeiros contactos entre Japoneses e Europeus, sobretudo durante o "século cristão".

Alexandra Curvelo

Apesar de na sua grande maioria a arte namban ter sido produzida no Japão sob influência europeia durante este "século cristão" (1543-1639), o termo acabou por abranger as obras de arte japonesas que resultaram do contacto com a presença europeia ou que, de algum modo, dela participaram.

Optamos, contudo, por uma interpretação circunscrita deste fenómeno artístico e cultural, reportando-o a toda a manifestação resultante dos contactos estabelecidos entre os Japoneses e os Namban-jin. Excluímos, assim, a entrada em cena dos Holandeses, os únicos protagonistas de um elo efectivo entre os dois extremos do globo no período que se estendeu de 1639 a 1854. A justificação reside não apenas no facto dos reflexos deste outro encontro no campo das artes visuais se ter feito sentir verdadeiramente somente a partir da segunda metade do século XVIII, mas fundamentalmente porque o mecanismo que esteve por detrás desta procura "consciente" do Ocidente se pautou por diferentes premissas.

A dificuldade em definir balizas cronológicas, um repertório temático e uma gramática formal para um fenómeno tão rico como este, prende-se com o facto de estarmos perante uma manifestação artística sem precedentes que teve como ponto de partida a presença de mercadores portugueses e de missionários europeus no território. Foi precisamente a curiosidade despertada pela chegada da nau de trato com pessoas e objectos exóticos a bordo que começou por servir como tema de inspiração dos biombos (byobu) namban, as peças que ainda hoje surgem como o núcleo central do corpus da arte namban. Porém, a este núcleo, devemos juntar objectos lacados, cerâmicos e em metal, assim como pinturas sobre cobre, madeira e papel resultantes do seminário de pintura dos Jesuítas (activo no Japão até 1614).

São obras que revelam indelevelmente a circulação de pessoas, objectos e materiais, assim como os mecanismos complexos de encomenda e a rede de trocas comerciais que cruzavam o globo durante aquela que foi a primeira globalização mundial.





Coordenação



Cristina Castel-Branco e João Paulo Oliveira e Costa



Assistência Tecnica



Inês Pinto Coelho e Margarida Paes



Colaboradores



Alexandra Curvelo, Ana Fernandes Pinto, Leonilde Alfarrobinha, Pedro Canavarro