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Expresso

Recapitalizar a Caixa para uma Caixa mais forte

Este deve ser o objetivo a que o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos obedece.

O PCP afirmou a 17 de junho de 2016 que “A recapitalização e desenvolvimento da Caixa Geral de Depósitos ao serviço do povo e do país corresponde a uma necessidade estratégica que não pode nem deve ser alienada. Ela é não só necessária como indispensável para criar as condições para que a CGD possa exercer em plenitude o seu papel enquanto instrumento insubstituível numa política de crédito, captação de poupanças e financiamento da economia integrados numa política soberana de desenvolvimento económica e social do País.”

O processo de recapitalização deve ter como objetivo um caixa mais forte e mais presente território e não a diminuição de atividade. Injetar capital na Caixa para reduzir a sua atividade não serve os interesses nacionais e só deixa espaço para a intervenção da banca privada.

A 22 de junho de 2016 o PCP afirmou também que “qualquer iniciativa de reestruturação que a pretexto da necessária recapitalização da CGD aponte para privatização parcial, despedimentos e desvalorização do papel do banco público (…) não terá o acordo do PCP.”

Desde o primeiro momento o PCP expressou a sua total oposição ao despedimento de trabalhadores e ao encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos. A redução de atividade resulta das imposições das instituições europeias – e à sua aceitação pelo Governo - as quais rejeitamos porque constituem claramente a introdução de limitações ao desenvolvimento da atividade do banco público. Limitações que o Governo deveria e deve enfrentar, em vez de optar por uma atitude de submissão às orientações das instituições europeias.

O anúncio do encerramento de cerca de 200 balcões da Caixa e da redução de cerca de dois mil trabalhadores insere-se exatamente na opção que não acompanhamos, a de redução da atividade. O encerramento de balcões um pouco por todo o país significa menos presença, significa enfraquecimento, significa em algumas localidades deixar populações ao abandono, significa não apoiar a economia, em particular o apoio a pequenas e médias empresas, em suma, prescindir do papel do banco público no desenvolvimento da nossa economia, para que a banca privada possa ocupar esse espaço.

Há balcões da Caixa Geral de Depósitos cujo encerramento está previsto que, não só são rentáveis do ponto de vista económico, como a sua atividade tem vindo a crescer. Em muitas localidades está previsto o encerramento de balcões fundamentais para as populações e para as micro e pequenas empresas, sem qualquer alternativa, quando o balcão mais próximo dista 20, 30 ou mais quilómetros, num contexto de inexistência de rede de transportes públicos que responda às necessidades de mobilidade e onde muitas pessoas não dispõem de viatura própria e auferem baixos rendimentos. Para muitos idosos, o pagamento da reforma é realizado através do balcão da Caixa. Por isso esta decisão de encerrar cerca de 200 balcões é prejudicial e resulta de uma perspetiva mercantilista e economicista em detrimento de uma perspetiva de melhoria da qualidade de um serviço público bancário.

Recentemente, o Presidente Executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo prestou declarações com o seguinte conteúdo “Ninguém peça à caixa para ficar onde os outros não querem ficar”.

Tal afirmação é inaceitável.

A Caixa presta um serviço público importante que não pode ser descurado. Não assegurar o serviço público em todo o território nacional é contribuir para a desvalorização do papel da Caixa junto da população e para o desenvolvimento da economia e do país, é contribuir para o enfraquecimento da Caixa, é contribuir para o processo de concentração do sistema financeiro.

Sabemos das intenções de PSD e CDS – desestabilizar e descredibilizar a Caixa com o objetivo da sua privatização. Combatemos esta perspetiva, defendemos a gestão pública da Caixa, por isso é que é tão importante que seja forte e esteja presente no território nacional para que cumpra o seu papel ao serviço da economia, do povo e do País. E também por isso, o PCP não acompanhará reestruturações da Caixa com vista à diminuição do seu papel no sistema financeiro português.