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Expresso

É preciso apurar responsabilidades 

As notícias sobre a transferência de cerca de 10 mil milhões de euros para offshore sem controlo pelo fisco, deita por terra o rigor e a transparência apregoado pelo anterior Governo PSD/CDS. Mais um embuste do anterior Governo.

Face a esta informação, várias perguntas se colocam e exigem cabais esclarecimentos, que não compadecem com a demissão de Paulo Núncio dos órgãos do CDS, apesar de esta posição denunciar já as suas responsabilidades e as responsabilidades de PSD e CDS nesta matéria.

Este facto é mais um que se junta aos inúmeros elementos que evidenciam a verdadeira natureza do anterior Governo PSD/CDS e das suas opções políticas. PSD e CDS sempre foram forte com os fracos e fraco com os fortes.

Esta questão é ainda mais escandalosa atendendo ao período em que ocorreu.

Foi exatamente durante a execução do Pacto de Agressão da troica aceite por PS, PSD e CDS, que PSD e CDS permitiram que 10 mil milhões de euros fossem para offshore sem qualquer escrutínio.

Foi exatamente no período em que os trabalhadores, os reformados e os jovens viram as suas condições de vida degradarem-se brutalmente, com os cortes nos salários e pensões, com os cortes nas prestações sociais, com o aumento dos impostos ou o aumento dos custos com a saúde e a educação, que PSD e CDS permitiram a fuga de capitais sem apurar o respetivo pagamento de impostos.

Foi exatamente num período em milhares e famílias perderam a sua habitação por dívidas ao fisco, algumas de valores bem inferiores ao valor patrimonial do imóvel, que PSD e CDS deixaram que este dinheiro saísse do país.

PSD e CDS tiveram de facto uma política de dois pesos e duas medidas. PSD e CDS foram implacáveis com os trabalhadores, mas de uma total benevolência quando se tratou de beneficiar grupos económicos e financeiros.

Os responsáveis do anterior Governo pela área fiscal devem explicações ao país. Têm de explicar como saem 10 mil milhões de euros do país sem escrutínio, como saem 10 mil milhões de euros sem se apurar e sem se cobrar os respetivos impostos.

Bem se percebe o incómodo de PSD e CDS perante esta situação. Percebe-se melhor agora o facto de PSD e CDS insistirem tanto em descredibilizar a Caixa Geral Depósitos com o objetivo da sua privatização.

Esta situação não pode passar incólume. Há responsabilidades políticas que têm de ser apuradas.