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Expresso

Trocando em miúdos

Produção Nacional e Emprego – prioridades para o desenvolvimento do país

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Nos últimos tempos não têm faltado comentários e declarações, de políticos do PSD e CDS e dos designados comentadores, acerca da ação, da posição e da intervenção do PCP.

A propósito das viagens pagas aos Secretários de Estado pela GALP, dizem que o PCP se remeteu ao silêncio, quando na verdade, assumiu publicamente que essa atitude era criticável e que o Primeiro-Ministro tinha de tirar ilações do sucedido.

Sobre o aumento dos salários dos administradores da Caixa Geral de Depósitos, o PCP disse que era inaceitável, embora tenham insistido em referir que a posição assumida tenha sido tímida! E o PCP disse mais, que “o processo de nomeação da nova administração, como intolerável, que corresponde no essencial à reposição do Bloco Central de interesses, com figuras oriundas ora do PS, ora do PSD e do CDS”, que o Governo não contaria com o seu apoio para alterar a legislação no sentido da flexibilização de critérios para os administradores públicos e disse ainda que a questão de fundo é a recuperação da nossa soberania em matéria de sistema bancário, mas sobre isto ninguém fala (a perda de soberania para o Banco Central Europeu não parece ser um problema!).

E por diversas vezes procuram insinuar que o PCP não coloca um conjunto de problemas que persistem, em particular no Serviço Nacional de Saúde e na Escola Pública. Nada mais falso e para o comprovar basta ver a intervenção do PCP nas suas múltiplas dimensões. Propositadamente esquecem-se é de dizer que tiveram enormes responsabilidades na degradação da prestação de cuidados de saúde e na desqualificação da Escola Pública.

Não deixa de ser curioso que quem faz estas afirmações, para além de não corresponderem à verdade, são exatamente os mesmos que sempre procuraram silenciar e desvalorizar as posições e as propostas do PCP.

Por um lado, tais declarações e comentários têm uma natureza revanchista, porque ainda não conseguiram aceitar, mesmo tendo passado quase um ano, que pela intervenção do PCP (dando tradução institucional à vontade expressa pelo povo nas eleições legislativas), PSD e CDS não são governo.

Por outro lado demonstram a natureza das suas opções políticas e ideológicas. O atual quadro político demonstrou que o povo português não estava condenado à política de exploração e empobrecimento prosseguida por PSD e CDS e que a União Europeia, tudo está a fazer para que seja retomada. Demonstrou que é possível avançar com medidas, ainda que insuficientes e aquém das necessidades, de reposição de direitos, rendimentos e salários. O que os deixa desorientados, nervosos e até com ódio e raiva é o facto de se ter reposto o salário dos trabalhadores da administração pública e aumentado o salário mínimo nacional, embora aquém do que seria necessário, ou de se ter reposto as 35 horas na administração pública.

Podem ficar descansados. O PCP não alterou o seu projeto político nem o programa e as propostas que apresentou aos trabalhadores e ao povo, não prescindimos dos nossos princípios, nem da nossa ideologia e nem perdemos a nossa coerência. O PCP foi muito claro neste processo: todas as medidas que vão ao encontro dos interesses dos trabalhadores e das populações contam com o seu apoio, medidas contrárias aos interesses dos trabalhadores e do povo não contam com o apoio do PCP. O PCP tem plena consciência das limitações da atual fase política, mas não se arrepende de ter sido determinante para evitar mais quatro anos de empobrecimento e de retrocesso, nem de ter contribuído para a recuperação de rendimentos e de direitos.

O PCP está consciente de que não é possível ultrapassarmos as dificuldades que o país e o povo atravessam, sem nos libertarmos dos condicionalismos e dos constrangimentos impostos pela União Europeia e sem uma política que efetivamente aposte na produção nacional e na criação de emprego. Para o crescimento e desenvolvimento económico de que o país precisa é preciso investir nos setores produtivos; aproveitar as nossas inúmeras riquezas e potencialidades; desenvolver a agricultura, a pesca e a indústria; apoiar as micro, pequenas e médias empresas; apostar num forte setor empresarial do Estado em setores estratégicos da economia e criar emprego com direitos.

Neste fim-de-semana, no comício da Festa do Avante, o Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou que “Podem contar com o PCP na luta em defesa da produção nacional. Uma política que decididamente promova e reforce o investimento público orientado para o crescimento e emprego, com políticas que defendam a agricultura, as pescas e a indústria. É preciso garantir o acesso ao crédito e apoios públicos a milhares de micro, pequenas e médias empresas.” Mas sobre este aspeto estruturante para a política patriótica e de esquerda que o PCP propõe ao país e ao povo já não interessa e silenciam a posição e proposta do PCP. Porquê? Porque contraria os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros.

Acrescentou ainda que “Assim vamos continuar com a forte intervenção que a situação exige. Iniciaremos neste mês de Setembro uma grande acção nacional pelo emprego, os direitos, a produção e a soberania, pela alternativa patriótica e de esquerda. Contacto, esclarecimento, mobilização dos trabalhadores e do povo, para dizer e para ouvir. Com acções nas ruas, nas empresas, nos locais públicos, com a realização de um ciclo de iniciativas sobre importantes matérias como o combate à precariedade, a legislação laboral, os salários, as pensões e a Segurança Social, o Serviço Nacional de Saúde, apoio às crianças e pais, por um desenvolvimento equilibrado, a habitação, a política fiscal.”

Creio que estamos conversados sobre silenciamentos!