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Expresso

Caiu o Governo PSD/CDS!

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No debate que se realizou nos últimos dois dias na Assembleia da República, os partidos de direita em vez de quererem discutir o seu programa, optaram nas suas intervenções por discutir já o próximo Governo de iniciativa do PS, porque sabem que o seu programa é mais do mesmo e não resolve os problemas do povo e do país.

No essencial, o programa apresentado era a continuação da política prosseguida nos últimos quatro anos. Pretendiam continuar a atacar os rendimentos de trabalho para concentrar a riqueza no capital; a retirar direitos de trabalho; as privatizações, entregando de bandeja recursos públicos e estratégicos para os privados; o desmantelamento das funções sociais do Estado e a submeter os interesses dos trabalhadores, do povo e do país aos ditames da grande capital.

Por muito que insistam em não aceitar, foi a luta dos trabalhadores, dos reformados e do povo que conduziu à derrota do PSD e CDS-PP e subsequentemente do Governo PSD/CDS. Foi a luta que derrotou a política que queriam prosseguir. Há muito que o anterior Governo PSD/CDS estava isolado e só se manteve em funções com a conivência do Presidente da República.

Revanchismo e desespero! É desta forma que qualifico as intervenções de PSD e CDS. Não aceitam que a sua política de exploração e empobrecimento foi derrotada, e não aceitam também que tenha sido possível identificar pontos de convergência entre o PCP e o PS. O reavivar de preconceitos anticomunistas foram uma constante, com o objetivo de procurar descredibilizar uma solução que vai ao encontro da vontade dos portugueses expressa nas eleições legislativas.

PSD e CDS vieram novamente com a conversa que agora que tinham ultrapassado o cabo das tormentas, agora que isto ia melhorar, iam ser impedidos de colher os louros, vitimizando-se e escondendo propositadamente a realidade concreta da vida dos portugueses - os baixos salários e as baixas reformas, o desemprego, a precariedade, a emigração forçada ou as crescentes dificuldades no acesso à educação, à saúde e à proteção social.

Creio que perante os recentes acontecimentos se refira o seguinte: o PCP tinha razão quando na campanha eleitoral dizia incansavelmente que os portugueses não iriam eleger nenhum primeiro-ministro, iriam eleger 230 deputados e seria da relação de forças que se constituísse na Assembleia da República que resultaria o Governo e as futuras opções políticas. E foi exatamente porque há uma maioria de deputados na Assembleia da República que foi a aprovada a moção de rejeição e o governo PSD/CDS caiu.

O primeiro objetivo foi alcançado, a derrota do Governo PSD/CDS-PP. O segundo objetivo, a concretização de uma política que vá ao encontro dos interesses dos trabalhadores e do país, que devolva os salários e pensões, que reponha os direitos, que reforce a saúde, a educação e a segurança social, que apoie as micro, pequenas e médias empresas, os reformados e os jovens está em curso. É neste segundo objetivo que o PCP está a intervir, para contribuir para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores, dos reformados e dos jovens.

E tal como a luta dos trabalhadores e do povo foi imprescindível, o desenvolvimento da luta neste novo quadro político será determinante.

Como afirmou Jerónimo de Sousa no encerramento do debate do programa do Governo PSD/CDS, “O tempo não é de expectativa e atentismo! É um tempo de participação, de acção, de construção de um futuro melhor!”