Siga-nos

Perfil

Expresso

Sobreviver à custa da concertação social

No início de Dezembro, o PSD recomendava ao Governo que se empenhasse num diálogo sério com os parceiros sociais. Também em Dezembro, Marco António Costa, ex-Secretário de Estado da Segurança Social e actual vice-presidente do partido, vem dizer que o PSD tem uma posição diferente do Bloco de Esquerda e do PCP porque defende o alargamento da medida às instituições de solidariedade social. Contra todas as expectativas, o Governo consegue o acordo que o PSD recomendava.
Perante isto, Bloco e o PCP mantêm a sua posição de sempre, mas o PSD muda por completo, passa a ser completamente contra a medida que tinha exigido e completamente contra o acordo de concertação social que considerava essencial.

O PSD tem tentado dizer que é coerente e que age por convicção, porque o partido é profundamente contra esta descida da TSU. Não se vislumbra como, nem por que razão. Contrariamente ao que já foi dito, a medida não é permanente, porque tem a duração de 11 meses, e não constitui um incentivo a contratar pelo salário mínimo, porque a redução da TSU não se aplica a novas contratações. A redução proposta também não descapitaliza a Segurança Social. Como consta do Decreto-Lei aprovado pelo Governo, e como explicou o Presidente da República na entrevista que deu à SIC, não há qualquer impacto na Segurança Social. Não havendo nada disto no acordo, e estando incluídas as instituições de solidariedade social, percebe-se a posição dos partidos à esquerda do PS, percebe-se a posição do CDS, mas não se percebe a posição do PSD.

Numa tentativa de justificar o injustificável, Passos Coelho tem dito que o Governo não pode estar à espera que o PSD resolva os problemas que o próprio Governo criou e que a maioria que o suporta não resolve.
Sucede que o Governo não criou nenhum problema. Aliás, fazendo fé no que o PSD dizia em Dezembro, o Governo parece mesmo ter resolvido um
problema: conseguiu aumentar o salário mínimo para 557 com o acordo das entidades patronais. O único problema que vislumbro, portanto, é o problema que os sucessos do Governo possam estar criar para o PSD. Com a economia a acelerar, o emprego a crescer e o défice abaixo dos 2.3%, um acordo de concertação social assinado por um Governo que o PSD jura ser inimigo das empresas podia deixar o Passos Coelho sem nada de relevante para dizer.