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Expresso

Parece que o modelo, afinal, funciona

A economia portuguesa cresceu 0,8% quando comparada com o segundo trimestre deste ano e 1.6% quando comparada com o mesmo trimestre em 2015. Foi o país que mais cresceu em toda a União Europeia. É um resultado francamente positivo, que só surpreende aqueles que se têm dedicado a um catastrofismo cada vez mais apocalíptico e cada vez mais desligado da realidade. Perante estes dados sobre a economia portuguesa houve quem ensaiasse uma nova teoria: os resultados até podiam ser excelentes, quiçá espetaculares, mas a sua composição era o oposto do que pretendia a estratégia do Governo. Conclusão: o país está de parabéns, mas a estratégia do Governo e da maioria que o suporta permanece errada e, inevitavelmente, conduzirá o país ao abismo.

Olhemos para o que nos tem dito o INE sobre emprego. Mais de 100 mil empregos criados desde janeiro, mais de 80 mil quando comparado com o período homólogo. Quando olhamos apenas para o terceiro trimestre, constatamos que, ao contrário do que aconteceu em 2015, quando foram destruídos cerca de 5 mil empregos, este ano, entre julho e setembro, foram criados 59 mil empregos. É certo que 2016 foi um excelente ano no turismo, mas 2015 já havia sido “o melhor ano de sempre”. O que os números do emprego já demonstravam, portanto, é que a generalidade dos sectores da economia portuguesa estavam em franca recuperação, com destaque para o sector exportador (não apenas o turismo) e para o sector das vendas a retalho e comércio. Só o investimento público, por razões que se prendem com a transição entre quadros comunitários, tem tido um arranque lento, mas mesmo isso parece estar a mudar. Se a isto somarmos os indicadores de confiança e de sentimento económico que foram saindo, os dados divulgados pelo INE na passada terça feira são positivos, mas não são inesperados. Apesar do ambiente mediático sufocante, que anunciava desgraças diárias e mantinha o país em permanente sobressalto, a economia estava mesmo a recuperar.

A estupefacção e desorientação só existem para quem decidiu decretar, de forma axiomática, que haver um Governo que contrariasse a ortodoxia do “não há alternativa” só podia resultar em desastre. Enganaram-se. E não, o crescimento divulgado pelo INE não é contrário ás intenções e políticas do Governo. Em primeiro lugar, porque não é verdade que o Governo não aposte nas exportações. Basta olhar para o programa de Governo para perceber que essa desvalorização das exportações é um mito. Em segundo lugar, porque, como o INE destaca, o consumo privado acelera no terceiro trimestre. Não sabemos quanto, mas sabemos que, fruto da política de aposta no aumento do rendimento das famílias (salário mínimo, prestações sociais, sobretaxa, reposição dos salários da função pública) a confiança do consumidores está a aumentar e está em contra ciclo com a periferia europeia, onde cai ou está estagnada. E sabemos, também, que o consumo de bens duradouros (com maior conteúdo importado) desacelerou e que o consumo de bens não duradouros, mais dependente do rendimento, acelerou. Isto faz com que o consumo cresca e até acelere sem que a balança de bens e serviços (o famoso equilibrio externo) se deteriore, antes pelo contrário, porque até melhorou. Ora, sempre foi este o objectivo do PS: aumentar o rendimento para, repondo direitos e melhorando a justiça e a coesão social, permitir um crescimento sustentável e mais equilibrado do consumo privado, que não degradasse o saldo externo. Segundo o INE, é exactamente isso que está a acontecer. E é por isso que o Orçamento do Estado para 2017 é uma excelente notícia: não só reforça e aprofunda a política de devolução de rendimentos de 2016, como, por essa razão, garante a sustentabilidade dos bons resultados de 2016: a desaceleração da actividade económica iniciada em 2015, em contra ciclo com a Europa, foi travada em 2016 e, com os dados do terceiro trimestre de 2016, parece que se confirma o que o PS sempre disse ser o seu objectivo: mais e melhor emprego, mais e melhor crescimento, mais e melhor coesão social.

O INE fez uma dupla maldade à oposição. Depois de ter dado a conhecer que a economia portuguesa era a que mais crescia em toda a Europa, deixou no ar a possibilidade de tal ocorrer enquanto a procura interna caía. Foi a (falsa) bóia de salvação de quem não se confirmava com os dados do crescimento. A procura interna e o consumo privado, dizia a oposição e diziam a maioria dos comentadores da área económica, não tinham nada a ver com os bons resultados do terceiro trimestre. Enganaram-se...outra vez, porque se esqueceram de retirar o efeito (contabilístico) da venda dos F16 à Roménia. São 162 milhões de euros que empolam o valor das exportações, por contrapartida de uma queda no investimento. Ou seja, sem esse efeito, meramente contabilístico, o PIB teria crescido exactamente os mesmos 0.8% em cadeia e 1.6% em termos homólogos, mas com um contrIbuto menor das exportações e maior da procura interna. Lá se vai a teoria de que a economia cresce, mas contra a estratégia do Governo.

Resumindo: maior criação de emprego dos últimos anos, maior crescimento em cadeia de toda a União Europeia, crescimento homólogo na média da União Europeia e em franca aceleração. E o consumo privado acelera, em linha com a reposição de rendimentos. Com a normalização da execução do Portugal 2020, o investimento também vai acelerar. Tudo isto com excelentes resultados na frente orçamental, que até levaram o Comissário Europeu Moscovici a dizer que era necessário ter a humildade de reconhecer que o optimismo de António Costa era inteiramente justificado. O diabo chegou mesmo, só que não é o diabo de que falava Passos Coelho, mas o diabo para aqueles que apostaram todas as fichas na inexistência de alternativas à governação da PaF. 2016 serviu para mostrar que não tinha de ser assim. E 2017 mostrará que a oposição precisa desesperada e existencialmente de um plano b.