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Expresso

Opinião sem cerimónia

Teixeira dos Santos confirma tudo: eles sabiam e não quiseram agir. Costa estava lá

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A recente entrevista de Teixeira dos Santos confirma que Sócrates adiou o pedido de ajuda por motivos eleitorais. António Costa era o número dois do partido, pertencia ao núcleo duro e assistiu a tudo sem agir, foi cúmplice. Ao contrário da mantra do PS o investimento em Portugal subiu mais em 2014 do que nos últimos 15 anos...apesar da consolidação orçamental.

Passaram 4 anos desde que Teixeira dos Santos decidiu, às escondidas de Sócrates, pedir assistência financeira e chamar a troika. Sabemos hoje, que o Tesouro já não tinha dinheiro nos cofres para pagar os salários aos portugueses no mês seguinte e os juros disparavam rumo à bancarrota.

Numa entrevista que deu na semana passada, por ocasião do aniversário desta triste efeméride, Teixeira dos Santos confirmou aquilo que já sabíamos: a resistência de Sócrates e do núcleo duro socialista, que incluía António Costa como n2 do partido, em chamar a troika e pedir a assistência financeira, que o país desesperadamente precisava. Esta resistência não se devia a dúvidas ideológicas sobre austeridade ou anti-austeridade, nem tão pouco a questões de soberania e muito menos a preocupação pelo interesse dos portugueses, mas devia-se sim a puro cálculo eleitoral! Pois, ao que parece, para Sócrates e companhia, só isso contava. Teixeira dos Santos confirmou tudo, tirando-lhes a máscara.

Narrativa anti-austeridade do PS é apenas calculismo

A narrativa que o PS adoptou nos anos seguintes, a conversa anti-austeridade, é para o PS apenas cálculo político e não uma preocupação com o país ou qualquer questão ideológica. O PS está viciado em poder e quer a todo o custo recuperá-lo, não para melhorar o país, mas apenas e só para se salvar a si próprio e desenvolver uma narrativa que tente justificar a derrota de Sócrates.

Os portugueses já perceberam e esse discurso não cola com a realidade, o que se nota, cada vez mais, nas sondagens. Passaram apenas alguns meses após a eleição de António Costa como líder do PS e já há um claro sinal de azia em muitos sectores do partido, mas também em muitos habituais indecisos, que se sentem desiludidos com os erros e fracassos consecutivos da nova liderança do PS, a quem pareciam dispostos a dar uma oportunidade. Porém, ao que parece é mais do mesmo e todo este episódio, em torno das presidenciais, deixa a clara ideia de que Antonio Costa ainda não manda no PS, afinal há alguém que à distância ainda continua a mexer as pedras no tabuleiro.

Portugueses confiam mais em Passos Coelho

Os militantes olham para o lado e recordam Seguro, os indecisos olham para Costa e ainda vêem Sócrates... Mas depois, e apesar de olharem de lado para Passos Coelho, vislumbram nele credibilidade, segurança, perdoam alguns defeitos, mas o "pacote" parece ser o mais fiável porque, afinal, sempre nos trouxe até aqui sem grandes sobressaltos e com vários sucessos.



As próximas eleições legislativas assentam numa decisão em tudo semelhante a uma potencial troca de carro. Optar por manter o carro que temos, um automóvel robusto, que tem a manutenção bem feita, provas dadas, que já está pago, que nunca nos deixou mal e que já nos garantiu 4 anos de bons resultados. Parece melhor opção que apostar num desportivo restaurado, aparentemente com mais estilo, ainda com prestações por pagar, já com os pneus recauchutados, com um historial de corridas não terminadas, sucessor de um modelo que nos deixou a pé várias vezes, por avarias sucessivas e vítima de condução irresponsável. No fundo, só nos dava despesa e poucas alegrias.



Mas esta desilusão com a nova liderança do PS obrigou a uma nova narrativa. Embaraçados pelos  resultados positivos da economia portuguesa, ao longo do último ano, o PS apareceu com o "mantra" da falta de investimento, procurando desvalorizar os êxitos alcançados pelas empresas e pelos portugueses, através de um exercício ardiloso, mas pouco sério, que tenta justificar a diminuição do investimento nos últimos 15 anos com a acção do governo nos últimos 4. Sim, foi isto que tentaram fazer passar.

investimento em Portugal aumentou

Na verdade, é preciso regredir 15 anos para detectar uma taxa de crescimento do investimento superior à de 2014, quando o investimento cresceu 5,2%. Se procurarmos o crescimento médio anual do investimento, desde que entrámos no euro até 2008, antes de se iniciar a sucessão de quedas portentosas que se seguiu, encontramos um valor igual a 0,3%.Assim, no primeiro ano já fora da crise - está complicado para o PS reconhecer que a crise ficou para trás e que o tempo é de recuperação -, o investimento cresceu, largamente acima da sua tendência, antes da crise, ao longo de todo o período até aí vivido dentro da moeda única.

Se formos à série completa e verificarmos a sequência que vai de 1996 a 2008, para todos os anos da série excepto os da crise - que ficou para trás! -, uma sequência de 13 anos, também em 2014 o investimento superou.. Melhor, mais que duplicou a média dessa sequência: 5,2% vs. 2,5%. Sim, em 2014 o investimento cresceu bastante. Pelo menos, muito mais do que média de toda a série anterior à crise. (Dados INE)

Como corolário, estes resultados ocorrem num cenário de consolidação orçamental, que não impediu o excelente desempenho do investimento total e, muito em particular, do investimento das empresas, que obrigam a um "recuo" de 15 anos para se poder observar marcas comparáveis. Para todos estes resultados foi fundamental o investimento em exportações, que em fevereiro voltaram a crescer 4,4%, atingindo uma taxa de cobertura de importações por exportações de bens de quase 90%.

Governo poupa mais 2 mil milhões às PPPs

A terminar, destaco o êxito da renegociação de seis parcerias público-privadas rodoviárias, que representou uma poupança para o Estado e, necessariamente, também para os contribuintes, de 2 mil milhões de euros. O que corresponde a uma forte redução de rendas excessivas sem precedentes na nossa história. Durante a vida útil destes contratos, todos então assinados por Sócrates, Lino, Costa Pina, Campos e companhia, os custos descem de 11 400 milhões de euros para menos de 9 500 milhões de euros, sendo que grande parte da poupança resulta da redução da rendibilidade média dos acionistas, que chegava praticamente a 13% e desceu para cerca de 8%. Isto é resgatar o futuro das novas gerações.