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Expresso

Opinião sem cerimónia

Duarte Marques

Jogo limpo, transparente e decisivo

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As propostas da coligação PSD/CDS e do PS serão tão diferentes que a escolha dos portugueses nas próximas eleições será bastante transparente e esclarecida. Portugal pode manter o rumo que nos tirou da bancarrota ou optar pela estratégia que nos levou a ela. Cenário do PS "sacrifica" pensões das novas gerações

O próximo debate político que o país enfrentará será o mais transparente, decisivo e consequente com o futuro que o país terá.

Com a apresentação do cenário macroeconómico do PS ficam claras as opções para os portugueses. Se o Governo e a coligação têm como cenário o Plano de Estabilidade e Crescimento, o PS tem no seu "poético documento"  o cenário idílico que o país enfrentará.

Aos portugueses resta optar e a sua decisão será a mais esclarecida dos últimos anos.

O cenário apresentado pelo documento de Mário Centeno coloca ao PS uma opção algo esquizofrénica que, em certa medida, ultrapassa o PCP e o Bloco pela esquerda e o PSD/CDS pela direita. É uma amálgama ideológica que vai mais longe no otimismo do crescimento do que o próprio Governo e é ainda mais populista do que bloquistas e comunistas.

Proposta do PS sacrifica pensões das novas gerações

Tal como lembra o Professor Pedro Cosme Vieira da Faculdade de Economia do Porto o documento recupera o "Excel" de Vítor Gaspar, que o PS tanto criticou, fazendo tábua rasa das intervenções de alguns dirigentes socialistas como João Galamba ou Vieira da Silva. E ainda prometem 300 mil empregos, o dobro do que havia prometido José Sócrates. Mas não só. Recuperam a baixa da TSU, proposta que tanto criticaram ao PSD e ao CDS e vão mais longe assumindo o corte nas pensões das gerações mais novas, precisamente aquelas que carregarão pelas suas vidas a dívida pública que os governos socialistas exponenciaram de forma irresponsável nas últimas duas décadas. Sim. As gerações mais jovens viverão os próximos tempos com uma mochila de dívida que não criaram, da qual não beneficiam e a qual terão de pagar.

De forma mais responsável o PS assume, porém, que caso forme Governo e, ao contrário do afirmado por altos dirigentes do partido, não irá afinal repor de imediato salários e pensões.

PS reconhece que a economia está já a recuperar

Digamos que é pela positiva: o documento da década traça um cenário de crescimento do PIB muito mais otimista do que o traçado pelo Governo porque afinal António Costa confirma o que disse recentemente à comunidade chinesa em Portugal.

É isto que me preocupa e me assusta. Para dar alguma base científica às propostas que apresenta, o PS traça um cenário macroeconómico super-optimista apenas para garantir que os modelos económicos em que sustenta a sua narrativa têm resto zero. Apesar disso as contas apresentadas não batem certo com as previsões realizadas.

Coligação em nome da estabilidade das reformas 

Por outro lado, Passos Coelho e Paulo Portas confirmam a coligação pré-eleitoral, uma nova AD em nome do interesse nacional. A coligação que deu provas ao tirar Portugal da bancarrota, guiou o país até se libertar da troika, levou o país até meio de uma ponte, assume uma proposta conjunta para percorrer o restante caminho até à saída consolidada da crise. 

Obviamente que Passos e Portas não partilham o mesmo sentimento que uniu Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, ou a mesma cumplicidade que colocou lado a lado Durão Barroso e Paulo Portas, mas souberam encontrar compromissos sólidos para esquecer os detalhes que os separavam e assumir um compromisso de ferro para retirar o país da bancarrota. Hoje, ao renovar essa aliança para fazer em conjunto o caminho que ainda falta para libertar Portugal de um passado de decisões erradas, de um futuro adiado pela irresponsabilidade que nos levou à bancarrota, Portas e Passos Coelho assumem perante os portugueses um compromisso de enorme responsabilidade e sentido de Estado.

Decisão simples: futuro livre  ou regresso à bancarrota

O que está em causa nas próximas eleições é optar entre a responsabilidade e a coerência com uma estratégia que tirou Portugal do abismo e cujas previsões se têm vindo a confirmar, ou optar pelo caminho mais popular, mais arriscado e, sobretudo, mais incerto. O que está em causa é colocar em risco os sacrifícios que os portugueses fizeram e que a cada dia mais se confirma terem válido a pena, ou arriscar colocar tudo em causa, optar pelo facilítismo e pelo consumismo que nos levou à crise de 2011. A embriaguês do consumo público e privado levou-nos à bancarrota. Ora, é por isso mesmo que não será seguramente, agora, esse caminho que nos dará um futuro mais sustentável.

Nota acrescentada pelo autor ao texto pelas 17horas: neste texto incluí uma expressão que encontrei nas redes sociais "recuperar o Excell de Vitor Gaspar" atribuída a um Professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Como não tenho por hábito plagiar decidi procurar a fonte original e mencionar no texto o respectivo link tal como ditam as "regras". Obviamente que não subscrevo qualquer outra expressão do mesmo autor que não aquela que devidamente identifiquei, muito menos qualquer alarvidade de carácter racista.