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Expresso

Opinião sem cerimónia

Jerónimo disse tudo

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PSD da Madeira foi o único partido que se renovou por dentro, nas pessoas, nas ideias e na forma de fazer política. A oposição é a mesma que foi sempre derrotada e continuou a não perceber porquê. Costa que correu a aparecer na selfie da vitória do Syriza escondeu-se da derrota do seu partido na Madeira.

Há alguns meses atrás escrevi aqui que o PSD da Madeira tinha surpreendido o país ao conseguir realizar eleições internas com vários candidatos, com muita disputa mas com total tranquilidade, sem qualquer incidente. Foi um excelente exemplo do funcionamento da democracia interna de um partido onde o principal opositor do anterior líder foi eleito, e respeitado, pelos mesmos militantes, pelo mesmo partido que durante 40 anos apoiou Aberto João Jardim. Foi o PSD, o partido do poder, que fez mais depressa a mudança interna, mudou o estilo, as ideias e até a abertura política.

Mas também é esse PSD que fez evoluir a Madeira. Está aqui a chave da vitória de Miguel Albuquerque: o património político do PSD e a renovação de políticas e mentalidade que incutiu neste novo PSD Madeira. A oposição é a única que não mudou, nem de atores, nem de políticas nem de mentalidades e por isso continuou na oposição.

PS só faz leitura nacional ... das vitórias 

Cá pelo continente, o pós-sufrágio eleitoral tem sido dominado pela oportunidade ou não de leituras políticas nacionais. Com o seu habitual bom senso Henrique Monteiro lembrava aqui que "é tão errado querer retirar conclusões nacionais das eleições regionais da Madeira como não querer retirar delas qualquer ilação". O PS, então de Seguro, não deixou de capitalizar o cartão vermelho à Coligação PSD/CDS que significava para si a vitória do PS no Açores. Passos Coelho deu a cara pela derrota e assumiu que austeridade nacional teria tido reflexos na votação nos Açores. Mas Passos deu a cara no momento difícil. Não deixa, por isso, de ser curioso o "apagão" de António Costa na noite de ontem ao deixar o seu partido na Madeira sozinho, sem a solidariedade do seu líder nacional. Afinal, para o PS, os resultados só têm leitura nacional em caso de vitória, como aconteceu nos Açores.

A diferença entre Passos Coelho e António Costa 

Mas este episódio permite ver outro traço que distingue o estilo das lideranças nacionais do PSD e do PS. Senão vejamos: Passos Coelho deu a cara pela derrota dos Açores e deixou o seu Vice-Presidente dar a cara no momento mais fácil, o da vitória na Madeira. Por seu lado António Costa, tal como Seguro, prefere dar a cara no caso das vitórias e manda as suas (apesar de muitos respeitáveis) terceiras linhas dar a cara pelo partido no momento da derrota. São sinais e exemplos que ficam.

Costa correu a aparecer na selfie do Syriza, mas fugiu do retrato da Madeira 

Curioso que este apagão de António Costa não ocorreu no dia das eleições gregas, onde, qual relâmpago, veio a correr para aparecer na "selfie" dos vencedores do Syriza... ainda o partido irmão, o PASOK, estava atónito pelo seu pior resultado de sempre.

Sempre aprendi que é nos momentos de dificuldade que se distinguem os verdadeiros líderes, os que têm carisma e não apenas tática. É nos momentos difíceis que diferenciamos a convicção e a coerência das lideranças. É nos momentos mais difíceis que distinguimos quem são os nossos verdadeiros amigos, os que ficam ao nosso lado apesar da derrota. É nos momentos de dificuldade que distinguimos um Estadista de um líder político.

O albergue espanhol segundo Jerónimo de Sousa 

Quanto à estratégia por detrás de uma das mais pesadas derrotas da história do PS, a explicação e a crítica mais certeira veio pela voz de Jerónimo de Sousa (um dos líderes políticos que mais respeito, apesar de raramente com ele concordar) que ontem afirmou que "a coligação liderada pelo PS não tinha princípios nem objetivos, procuraram juntar tudo num albergue espanhol, sem conteúdos políticos nem programa. O PS pensava que bastava uma soma aritmética de partidos para convencer o povo da região."

Estratégia do PS na Madeira clonada no país 

Pela quantidade de alianças e "piscar de olhos" que António Costa tem vindo a fazer no continente aos vários partidos e movimentos, parece também passar por aí a sua estratégia para as próximas legislativas. Talvez seja mais útil dar maior atenção à própria casa, ao PS, que anda cada vez mais incomodado com a surpreendente inépcia de António Costa e a falta de crescimento nas sondagens. O primeiro teste correu-lhe mal.

E no meio de tudo isto a democracia, na Madeira, funcionou mais uma vez.