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Expresso

35 horas de António Costa provocam caos nos hospitais

No ano da morte do “pai fundador” do SNS, o Governo de esquerda decidiu dar mais uma “estocada” na qualidade dos cuidados de saúde prestados aos portugueses com a 2ª fase da passagem das 40 para as 35 horas de trabalho semanais sem o equivalente reforço de pessoal.

Se o garrote financeiro imposto aos Hospitais, que adiou investimentos, que atrasou operações e consultas médicas, que adiou a contratação de profissionais, foi a “fatura” pela reposição mais acelerada de rendimentos, a alteração nas horas semanais de trabalho veio dar a “machada final” num SNS que tem vindo a ser canibalizado para garantir os brilharetes de Mário Centeno e o folclore de António Costa.

O principal problema da reversão das 40 para as 35 horas não é iniciativa em si, mas sobretudo o facto de não ter havido o necessário reforço/compensação ao nível do pessoal, em particular dos enfermeiros. Se a primeira fase - colaboradores que pertenciam aos quadros dos hospitais - veio agravar a já difícil situação de escassez de profissionais, esta segunda fase que afeta 12 mil enfermeiros vem obrigar a encerrar serviços, enfermarias e a adiar operações. Aqui refiro apenas os enfermeiros, somam-se a estes os técnicos de diagnóstico, farmacêuticos, entre outros.

Também inaceitável é o facto do Ministro da Saúde decidir fazer à última hora um estudo sobre os impactos de uma medida que há muito está tomada e em vigor.

Quando da primeira reversão, Mário Centeno terá enganado o país ao dizer que a alteração das 40 para as 35 horas não traria mais custos financeiros. Sou forçado a dizer que afinal Mário Centeno não mentiu de facto, o que ninguém esperava era que optasse pelo caminho ainda mais irresponsável impedindo a contratação de profissionais para compensar os quadros de pessoal após a redução de 5 horas de trabalho. Não foram os contribuintes que pagaram o “preço” através dos seus impostos, tiveram sim um prejuízo maior que é o custo da degradação dos seus cuidados de saúde. Como esta semana lembrou o líder do PSD, a gestão do Governo de António Costa está a provocar o “caos no Serviço Nacional de Saúde: subfinanciamento, erros de gestão, mau atendimento dos doentes, descontentamento dos profissionais, agravamento da dívida e atrasos no pagamento a fornecedores.

Segundo as contas da Ordem dos Enfermeiros, a 2ª fase da passagem das 40 para as 35 horas obrigaria à contratação de mais 1700 enfermeiros. Isto sem contar com as necessidades da 1ª fase que serão bem mais de 1700 e sem contabilizar a substituição dos profissionais que têm a sua atividade suspensa por licença de maternidade, baixa médica, etc.

Fazer esta alteração sem a necessária compensação revela uma enorme irresponsabilidade política.

Apesar de tudo isto, Mário Centeno e António Costa continuam a sorrir alegremente em todos os palcos nacionais e internacionais a falar do “milagre financeiro português”, o tal caminho sem austeridade que é afinal feito à custa do aumento de impostos e da degradação dos cuidados de saúde.

Se o principal responsável por esta decisão é o Primeiro-Ministro António Costa, o Bloco de Esquerda e o PCP também não podem sair ilesos, pois o facto de terem exigido esta alteração de horário implicaria que fizessem finca-pé à necessária contratação de profissionais mas, em vez disso, ficaram calados. Ao fazê-lo apenas agora revelam uma total hipocrisia que só encontraria paralelo se um incendiário culpasse os bombeiros pela demora na extinção de um fogo.