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Expresso

Nova troika: Centeno, Jerónimo e Catarina

Quando se tentam disfarçar e ocultar as diversas insuficiências da narrativa que a coligação de esquerda trouxe ao país com o silêncio, os aplausos ou a conivência do PCP e Bloco de Esquerda, mais cedo ou mais tarde a verdade vem ao de cima e a máscara acaba por cair.

Não será por mero acaso, ou apenas pouca sorte, que ao longo dos últimos meses os incidentes se vão repetindo. Não é aproveitamento político. É a consequência real da austeridade disfarçada.

As listas de espera nos hospitais têm vindo a crescer e os tempos de espera para conseguir consultas têm aumentado na generalidade dos hospitais do SNS. A austeridade nos hospitais agravou-se porque o governo, ou melhor, Mário Centeno preferiu adiar investimentos, adiar contratações e adiar pagamentos. Mas adiou sobretudo a prestação de cuidados de saúde aos portugueses.

Era preciso baixar o défice e compensar todos os custos da propaganda acordada com os parceiros de coligação. Mesmo sem estar sob o resgate e o sob controlo da troika, o Governo de António Costa agravou o estado do Serviço Nacional de Saúde com a complacência do Ministro da Saúde, porque no final das contas também ele é “Centeno”.

O Relatório da Comissão Independente que escalpelizou as tragédias do último verão é claro ao acusar o Governo por não ter ouvido os pedidos da Proteção Civil que pedia para prolongarem o aluguer de meios aéreos pesados e grupos de ataque ampliado para lá da fase crítica de fogos. Mas era preciso baixar a despesa e evitar custos com os bombeiros e com os meios aéreos. Mesmo sem a troika em Portugal, o Governo preferiu arriscar e não prolongar os meios disponíveis. Todos sabemos o que aconteceu em outubro porque também a Ministra era Centeno.

Nos transportes públicos o caos é generalizado. Há cada vez mais comboios a descarrilar e não é por acaso, há cada vez mais comboios suprimidos porque não há investimento e são obrigados a parar porque não têm manutenção nem há peças. O Metro de Lisboa é um verdadeiro caos, cada vez com mais tempos de espera e menos carruagens, o serviço prestado aos portugueses é um embaraço. Os cacilheiros que ligam as duas margens do rio Tejo são um perigo eminente e só a sorte e perícia dos seus pilotos tem evitado uma tragédia. Pedro Marques também é Centeno.

Na área da educação têm sido as autarquias locais a evitar males maiores no investimento em muitas escolas que são da responsabilidade do Ministério da Educação. Nunca se viram tantas escolas degradadas e o Governo nem executa toda a verba disponível para remodelações, porque se Centeno não cativa na Educação, o que é facto é que Tiago Brandão Rodrigues também é Centeno.

A somar a tudo isto, começam também a ficar também claras outras aldrabices do governo, onde a principal de todas parece ser a carga fiscal. Pelos vistos, e apesar da saída da troika, 2017 foi o ano em que os portugueses pagaram mais impostos. Nem Vítor Gaspar no seu tempo, com a pressão da troika, carregou tanto os portugueses e as empresas com impostos.

Mário Centeno e António Costa foram mesmo além da troika e contaram sempre com a conivência e apoio do Bloco de Esquerda e do PCP que ajudaram a mascarar a mentira tantas vezes contada. Afinal, até o BE e o PCP são Centeno.

Houve tantas promessas eleitorais para pagar que a fatura saiu aos portugueses.

Tudo isto se fez sem qualquer reforma estrutural. Os resultados do governo, ao nível do défice, atingiram-se graças a alguns fatores, alguns dependentes do governo outros nem tanto. Nos que dependem do governo temos a grande austeridade, muitos impostos e investimento quase zero. Os outros fatores não dependem do governo e são sobretudo o boom do turismo e da economia, que já está a arrefecer, e a política de juros baixos do BCE.

Apetece perguntar: e quando estas condições favoráveis terminarem, o que fará o governo? Aumentará ainda mais os impostos? Despedirá funcionários públicos? É que as reformas estruturais, como as de 2012,2013 e 2014, demoram anos a dar resultado.

O Governo não aproveitou este período para fazer qualquer reforma, aproveitou o vento favorável para fazer propaganda, pagar o apoio parlamentar ao PCP e BE, e apresentar bons “números” a Bruxelas. Tudo a pensar nas eleições de 2019, depois logo se vê.