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Expresso

Os lesados do Governo

Os relatórios da Comissão Independente que investigou as duas principais tragédias deste verão, aquelas em que morreram 108 pessoas, confirmam a responsabilidade total do governo no colapso do sistema de proteção civil.

Se da falta de ordenamento do território e as condições metrológicas não se podem assacar responsabilidades diretas apenas a este governo, a falta de meios, a deficiente preparação e planeamento da época de combate a incêndios, a ignorância dos alertas e pedidos da Proteção Civil são responsabilidade clara e única do governo liderado por António Costa.

As fragilidades do sistema já eram claras no relatório feito a propósito de Pedrogão, mas o mais recente diz que o governo nada fez para evitar uma nova tragédia a 15 e 16 de outubro. Ignorando os alertas do PSD e dos principais especialistas nacionais nestas matérias, António Costa confiou na sorte e ignorou os diversos pedidos de meios da Autoridade Nacional de Proteção Civil e os avisos da meteorologia através do IPMA.

Há detalhes neste relatório que não podemos ignorar pois confirmam que as condições daquele fim-de-semana não foram uma surpresa para as autoridades. A título de exemplo, chamo a atenção para o capítulo 2 deste relatório (páginas 30 e 31) onde é revelado que, segundo o “simulador” da proteção civil, as estimativas para o fim de semana de 14,15 e 16 de outubro previam 215, 460 e 172 ocorrências respetivamente, ou seja, risco extremo. Ora, os dados hoje existentes revelam que nesses dias tiveram lugar 216, 496 e 213 ocorrências respetivamente. Ou seja, a Autoridade Nacional de Proteção Civil sabia o que podia acontecer e, em tempo útil pediu ao governo, conforme a página 150 do relatório, que não desmobilizasse o dispositivo bem como mais meios para fazer face a esta ameaça. De nada serviu. O governo ignorou, rejeitou ou simplesmente protelou a decisão.

O governo de António Costa não quis gastar mais dinheiro. Entretanto morreram mais 49 pessoas, arderam centenas de casas e de empresas. Os prejuízos financeiros são ainda hoje incalculáveis.

As pessoas e os seus bens foram os mais prejudicados por esta vaga de incêndios. A Proteção Civil falhou e deixou as pessoas à mercê dos fogos. O Governo é o seu principal responsável e tem várias faturas por pagar.

Estes portugueses são os principais lesados do Governo. Há mais, mas estes são os principais. Não investiram, nem arriscaram o seu dinheiro em qualquer investimento de risco ou banco. Muitos perderam tudo e viram literalmente arder as poupanças de uma vida.

Hoje, basta visitar o território para perceber como foram abandonados pelo governo face ao chorrilho de promessas iniciais. Restam-lhes as ajudas privadas e os demorados fundos europeus, mas no que diz respeito ao governo português e ao Orçamento de Estado pouco ou nada receberam até agora. Mais sorte tiveram os lesados do BES a quem Carlos César e António Costa prometeram resolver a sua situação e a quem de facto adiantaram o dinheiro dos contribuintes.

São as prioridades que caracterizam o governo e a coligação que o apoia.