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Expresso

O património do PSD como ponto de partida

O primeiro efeito da campanha eleitoral que levou à eleição de Rui Rio como líder do PSD foi, claramente, unir o partido na defesa do legado de Pedro Passos Coelho e dos últimos anos de governação do PSD.

E este não é um detalhe de menor importância, é sim a defesa de um património fundamental do PSD sobre o período mais difícil da história recente de Portugal. Não se trata apenas de defender o legado de Passos Coelho ou da sua equipa, trata-se sim de garantir que o Partido se orgulha do que fez, que pode sair à rua de cabeça levantada e que no futuro recordará este período como mais um grande serviço prestado pelo PSD à democracia, ao país e aos portugueses.

Esta eleição encerra assim um período de quase oito anos onde o Partido de Sá Carneiro foi liderado por Pedro Passos Coelho. Recordo que não o apoiei, nem contra Manuela Ferreira Leite nem contra Paulo Rangel, mas rendi-me à sua coragem e resiliência, bem como ao forte sentido de Estado que revelou ao longo destes mandatos. Alguns dos seus apoiantes da “primeira hora” decidiram abandoná-lo nos momentos mais difíceis. Eu decidi apoiá-lo precisamente aí, quando os “primeiros fugiram”, ora porque era difícil defender o que era necessário para o país, ora porque Passos Coelho não lhes fez os fretes com os quais contavam. Nesse momento eu decidi dizer presente.

Ao contrário de outros, o PSD pode fazer a sua“ressaca” de Passos Coelho inaugurando um novo ciclo com a consciência tranquila, olhando os portugueses olhos nos olhos, encerrando mais um período credível da história do Partido.

Em 2011, o PSD recebeu de Sócrates, e de vários Ministros do actual governo, um país em pré-bancarrota, sem dinheiro para pagar salários, com um défice público próximo dos 12%, em recessão há mais de um ano, com o desemprego a crescer, com uma teia de políticos e empresários a manipularem e a controlarem a economia, com uma justiça“amordaçada”, com a imprensa sob pressão e com o Estado de Direito a ser constantemente colocado em causa. Portugal era muitas vezes notícia em todo o mundo pelas piores razões.

O PSD “devolveu” em 2015 um país muito diferente, mais confiante, mais preparado e mais livre das mordaças mas também com mais independencia para definir o seu futuro. Com o memorando de entendimento cumprido a troika saiu de Portugal, o défice público já tinha caído de 12 para 3%, o desemprego estava a cair vertiginosamente e a economia a crescer a 1,7% graças às exportações e ao turismo, mas sobretudo como consequência de uma economia mais livre de amarras e de interesses. Foi ainda em 2015 que os estudantes e os cientistas conseguiam os melhores resultados de sempre.

Se os partidos são feitos de história e de património político, a forma como se discutem as lideranças e os programas também diz muito da sua maturidade democrática. Rui Rio e Pedro Santana Lopes enobreceram esta eleição e tornaram ainda maior o orgulho do PSD nestes últimos anos. Apoiei Pedro Santana Lopes na sua corajosa candidatura e apoiarei o novo líder do PSD sem qualquer restrição. É a democracia a funcionar.

O líder eleito, Rui Rio, tem todo o futuro pela frente e um passado do qual se pode orgulhar. É um excelente ponto de partida não ter esqueletos no armário nem um partido embaraçado pelo seu próprio passado como acontece com o Partido Socialista. Os verdadeiros derrotados desta eleição são os que apostaram na destruição e divisão do PSD.

Pedro Passos Coelho, como qualquer ser humano, tem muitos defeitos e terá errado muitas vezes. Mas, felizmente, nas opções mais decisivas para Portugal esteve sempre bem, marcando uma época que alguns já sentem com saudade. Passos Coelho nunca abandonou o seu país nem nunca, voluntariamente, colocou o interesse particular de algum grupo ou obediência acima do interesse de Portugal.

A Passos Coelho, como português e militante do PSD, resta-me apenas dizer-lhe OBRIGADO.