Siga-nos

Perfil

Expresso

O rei vai nu com um Pícaro ao leme

As últimas semanas revelaram-nos a verdadeira face de um governo que se esconde por detrás de meias verdades, que se senta nos lucros das reformas feitas por outros, e que “manipula” a máquina do Estado sem qualquer pudor e com total leviandade. Tudo isto ocorre livremente com complacência de alguns, que durante 4 anos não fizeram outra coisa senão boicotar as reformas que agora lhes permitem festejar os “êxitos da esquerda” e que agora branqueiam o colapso de vários serviços do Estado.

Se o povo português já conhecia o estilo do governo de António Costa, infelizmente foi preciso haver uma tragédia e um falhanço monumental da nossa defesa para ficarmos a conhecer o carácter. Sim, é de uma questão de carácter e não de profissionalismo que estamos a falar, quando um Primeiro-Ministro ordena um “focus group” para saber se logo após as 64 mortes a sua imagem tinha sido beliscada.

Era cedo para apurar responsabilidades, era cedo para fazer críticas ao governo, estava tudo ainda demasiado quente para que jornalistas e partidos políticos colocassem qualquer tipo de questão mais incómoda, ou pedissem explicações.

Eram dias de luto, mas alguém na direção política do governo não teve qualquer pudor em fazer um estudo para saber se a morte de 64 pessoas beliscava a imagem do governo. Esta não é uma questão política, esta é uma questão de carácter.

Na tragédia de Pedrogão, como no roubo de Tancos, o que incomoda não é apenas a incompetência e a irresponsabilidade do governo, mas também sim a leviandade e o despudor com que se procura manipular a informação que chega à opinião pública.

No caso de Pedrogão foram as prontas reações, vulgos fretes, que vieram do Diretor da Polícia Judiciária a confirmar a suposta causa do incêndio, até às declarações do IPMA sobre as condições atmosféricas, “certezas” que nos fizeram desconfiar. Tudo demasiado rápido e à medida do interesse político do governo. Mas bastaram três ou quatro dias para que estas versões fossem rapidamente desmentidas pela realidade dos factos e por técnicos das próprias instituições.

Em Tancos, a estratégia foi a mesma, desvalorizar, banalizar e tornar o ato algo simples, habitual e que já ocorrera em outros países da UE. Na dúvida, a responsabilidade era do anterior governo. É a “cartilha” habitual de António Costa.

Quer em Pedrogão quer em Tancos, mais uma vez o Governo tentou uma narrativa, procurou apenas proteger-se, mas os factos eram demasiado graves para que a sociedade civil, a imprensa e os partidos da oposição ficassem eternamente calados. Quer em Pedrogão, quer em Tancos, o Estado colapsou, foram 64 vidas que se perderam e outras foram colocadas em risco. Mas a prioridade do governo foi tentar manobrar a opinião pública e chutar responsabilidades. Todos nos sentimos enganados.

Se José Sócrates ficará para a história associado aos casos de corrupção, à bancarrota e à personagem do Pinóquio ou do Pinócrates, a António Costa assenta melhor a imagem de “pícaro”, personagem habitual dos romances espanhóis dos séculos XV/XVII, alguém que é descarado, oportunista e ardiloso, mas que não olha a meios para conseguir o que pretende, nem que para isso seja mesmo mentir ou ocultar a verdade.

Se o caos na saúde, as perseguições na área da ciência e o descontrolo que graça no ministério da educação demonstram o desnorte e a degradação da qualidade dos nossos serviços públicos, os problemas na segurança dos cidadãos e na nossa defesa, revelam não só laxismo, mas também incúria e irresponsabilidade em áreas fundamentais da nossa soberania.

Não posso terminar este artigo sem mencionar a incrível falta de pudor do Bloco de Esquerda e do PCP que, apesar de já terem aprovado dois Orçamentos de Estado do atual governo e de terem branqueado a responsabilidade do executivo que apoiam em quase todos os debates, vêm agora criticar o executivo de Passos Coelho/Portas e o de António Costa pela falta de investimento nas forças armadas e na segurança. É preciso muito descaramento, sobretudo quando o BE e PCP têm sido os maiores críticos do investimento na nossa capacidade militar. Haja decoro.