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Expresso

PCP e BE escavam a sua sepultura

Os dois partidos “acólitos” do PS na governação trocaram o seu futuro pela raiva a Passos Coelho e Paulo Portas. A cada dia que passa estão mais comprometidos com a herança de António Costa e, cada vez mais, passam de coniventes a cúmplices. Em poucos meses, Bloco e PCP passaram do deslumbramento de “mandar” na agenda de António Costa e do PS, a claros reféns dos malabarismos do Primeiro-Ministro.

É o futuro do país que está em causa, mas o funcionamento da nossa democracia nunca mais será o mesmo. A prazo, PCP e BE vão pagar esta fatura a um preço bem elevado porque as pessoas já não acreditam no verdadeiro teatro de Catarina e Jerónimo sempre que fazem de conta que criticam o atual governo

O primeiro sinal que recebi foi na Comissão de Inquérito da CGD. PCP e Bloco de Esquerda alinharam no encobrimento a Mário Centeno ao impedir PSD e CDS de utilizar um “direito potestativo”, precisamente um instrumento parlamentar criado para permitir aos partidos da oposição, e mais pequenos, de realizar as suas iniciativas mesmo que a maioria parlamentar discordasse. Esta era uma prerrogativa que demorou anos a conquistar, sobretudo pelo PCP, e que foi assim deitada ao lixo sem qualquer hesitação. PCP e BE cavaram a sua própria sepultura criando um precedente claro para que no futuro qualquer maioria possa impedir PCP ou BE de usar um “direito potestativo”, seja para marcar um debate ou chamar um membro do governo.

O silêncio cúmplice do PCP e Bloco de Esquerda em relação às constantes cativações ao orçamento dos serviços públicos, em especial à saúde, terá custos gravíssimos na credibilidade política futura de ambos os partidos, já para não falar no próprio SNS.

Vejamos vários exemplos.

Apesar dos vários anúncios de combate à precariedade, enquanto o anterior governo vinculou 4000 professores em 4 anos, este governo vinculou até à data apenas 100 professores. Isto com o silencio cúmplice do PCP e BE.

Após vários anos a criticar os “RERT´s”, períodos que permitem saldar dívidas fiscais sem pagar multas, PCP e BE aceitaram que o atual governo o fizesse para corrigir os desvios do défice com o qual os três partidos se haviam comprometido.

Após décadas a criticar a falta de investimento público, PCP e Bloco de Esquerda foram solidários com o governo que teve o menor investimento público das últimas décadas.

Quando vemos Deputados do BE e PCP a justificar cortes na saúde e cativações nos diversos serviços públicos, já acredito em tudo. Tudo é possível quando o objetivo é disfarçar a fragilização dos serviços públicos. Ontem, ouvimos o inimaginável quando BE e PCP apoiaram o PS na saída de países com offshore da “lista negra” portuguesa. Centeno disse no Parlamento que havia um parecer da Autoridade Tributária mas Rocha Andrade disse o contrário no Parlamento Europeu. Mas está tudo bem.

PCP e Bloco de Esquerda estão de facto no bolso de António Costa e têm realizado um verdadeiro branqueamento aos erros do governo atual.

Os parceiros da esquerda parlamentar viveram uma verdadeira lua-de-mel enquanto a “agenda de vingança” contra o anterior governo tinha “flores” para distribuir. Como no PS já perceberam que muitas das reformas estavam a dar resultado, interromperam as reversões previstas, a começar pela questão laboral.

PCP e BE estão a começar a ficar em sem fôlego para engolir tanto sapo socialista, os últimos foram as rendas da energia, depois foi Lacerda Machado e agora as “cunhas” de Carlos César.

Quando a corda partir, a guerra vai ser feia. O PCP costuma ser mais certeiro, mas mais leal, o Bloco não hesitou em dar um pontapé no Syriza e de imediato no Podemos assim que ambos os aliados internacionais do BE começaram a cair em desgraça.

António Costa que se prepare, mas a fatura já os portugueses estão a pagar e a democracia já está mais frágil.