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Expresso

Macron: um segundo Hollande ou o novo Mitterrand?

As eleições francesas somaram mais uma derrota dos populistas e nacionalistas neste difícil ciclo de eleições que a Europa conhecerá ao longo de 2017. Depois da vitória do actual primeiro-ministro holandês, foi agora Macron e os restantes partidos moderados que se uniram para derrotar Le Pen, o populismo e o nacionalismo. Seguem-se as eleições inglesas, alemãs e italianas. Após dois rounds o bem imperou contra o mal.

Macron desfilou para o discurso da vitória ao som do hino da Alegria, a música que serve de banda sonora à União Europeia, o que confirma uma opção clara pela projecto europeu, uma das linhas da sua campanha que mais o diferenciou da sua opositora.

Confesso que, apesar desta vitória, é preocupante que quase metade dos franceses tenham votado em partidos anti-Europeus na primeira volta, e mesmo os partidos europeístas como os Republicanos, Socialistas e o próprio partido de Macron, assumam um discurso extremamente crítico e distante da União dos 28. Isto significa que o projecto Europeu tem uma má imagem em França, que por mais injusta que seja, não deixa de ser um importante alerta para todos.

Resta saber se Macron será mais um Hollande, que criou imensas expectativas e foi depois uma enorme desilusão - António Costa, Seguro e o Partido Socialista que o digam - ou se irá usar o enorme capital político que reuniu, quer pela votação que almejou quer pela forma particular, como independente apesar de socialista, que se apresentou a eleições e derrotou todos os outros candidatos.

A Europa não precisa de mais um líder que use a União Europeia como justificação para os seus fracassos, para isso já tem muitos. A Europa precisa de um francês como Mitterrand, que assuma as suas responsabilidades, que aproveite os seus direitos e que cumpra os seus deveres. Não há Europa sem a França nem sem os franceses, a nação fundadora deste projecto, um dos principais pilares da união.

Do líder de um país como a França espera-se sempre um contributo maior para a agenda europeia, terá sempre que conciliar as reformas internas que são urgentes com a liderança no desenvolvimento das reformas que união europeia tanto precisa.

O programa de Macron é vago e em muita coisa contraditório, há quem diga que é impossível de cumprir ou de conciliar. Determinante será a escolha do futuro primeiro-ministro tal como os resultados das próximas eleições legislativas que permitirão ou não ao novo Presidente levar a cabo o programa que venceu as eleições presidenciais com 64% dos votos.

Conseguirá Macron transformar a sua plataforma num partido que vença as legislativas ou que, pelo menos, lhe dê a vitória nas legislativas? Conseguirão os Republicanos e a extrema esquerda de Melenchon repetir os 20 e 19 % das presidenciais? Fica a principal dúvida, conseguirão os socialistas recuperar os seus eleitores que votaram em Macron ou irão dividir entre si os votos e terem ambos, PSF e En Marche, duas derrotas humilhantes.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos para saber quem afinal será Macron e o que podem a Europa e a França mudar com o novo Presidente.