Siga-nos

Perfil

Expresso

Governo de esquerda passou custos da resolução do BES para os contribuintes

Se há decisão que marca decisivamente a gestão do governo PSD/CDS é o "Não" a Ricardo Salgado quando este queria que o Estado, os contribuintes e em particular a CGD, o ajudassem a adiar a falência do grupo GES/BES. A solução encontrada por Passos Coelho e pelo Banco de Portugal, não tinha custos para os portugueses, mas sim para os próprios acionistas e para o sector financeiro através do Fundo de Resolução que é suportado pelos bancos.

Mas, qual surpresa, os acordos agora anunciados por António Costa, de renegociação da dívida e da venda, garantem muitos custos e riscos para os contribuintes. Sou assim forçado a dar razão a João Galamba, Mariana Mortágua ou Jerónimo de Sousa quando, desde há 3 anos, diziam que a resolução do BES teria custos para os contribuintes. Se antes não tinha, pela ação do governo apoiado pelo PS, BE e PCP passou a ter. Vamos aos factos.

Tudo começou com a queda do preço e da avaliação do Novo Banco. Após quase dois anos de conversa errática sobre o valor e o destino do banco, o achincalhamento e instabilidade criada pela Geringonça, ora nacionaliza o Novo Banco, ora liquida (vide Mário Centeno), ora vende, ora integra na CGD, etc. etc., era óbvio que face aos constantes desentendimentos entre os parceiros da coligação, e mesmo dentro do próprio governo, o valor do ex BES iria diminuir drasticamente como se verificou na venda final. Se houve propostas de compra de cerca de 4 mil milhões (ver AQUI), agora, na melhor das hipóteses, terá custado à Lone Star um investimento de mil milhões, quando na verdade o valor bruto terá sido equivalente a zero.

Depois veio o perdão aos bancos no que diz respeito à devolução do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução. A data inicial prevista era 2016, e até seria aceitável que o governo prorrogasse esse prazo por mais alguns anos, mas António Costa decidiu dar mais trinta anos para os bancos devolverem o empréstimo feito pelo Estado. Trinta anos para a banca devolver aos contribuintes o dinheiro da resolução do BES? Estes juros serão muito menores do que os juros pagos pela República para o seu financiamento a 10, 20 ou mesmo 30 anos. Ou seja, há claro prejuízo para os contribuintes face ao contrato inicial estabelecido no modelo do governo anterior. Tudo piora quando percebemos que durante 30 anos os bancos só pagam os juros, já que os 3.9 mil milhões de capital serão apenas devolvidos aos contribuintes no final desses 30 anos. É o perdão da divida, não aos portugueses, mas dos contribuintes portugueses à banca.

Pelos vistos, BE, PCP e Partido Socialista sempre conseguiram um perdão de dívida, mas foi um perdão de dívida dos portugueses à banca.

De seguida ficamos a saber que afinal ao contrário do que foi dito por António Costa e Mário Centeno, há garantias dadas pelo Estado e não são poucas nem baratas. Governo e Fundo de Resolução aceitaram uma exigência da Lone Star, o comprador, que garante que o Fundo de Resolução irá cobrir perdas nos ativos até 3.9 mil milhões de euros. Ou seja, o Estado e os contribuintes financiam essa garantia.

Pelo que se sabe, as análises de risco feitas ao grupo de ativos críticos/contingentes, ou em risco, o chamado perímetro de ativos “tóxicos” do Novo Banco, são grandes e sugerem perdas elevadas. É por isso óbvio que a garantia dada pelo governo será muito provavelmente utilizada pela Lone Star ao contrário do prometido pelo governo de esquerda.

A gestão de todo o processo de venda do Novo Banco, por parte do governo e da própria coligação, tem sido um misto de incompetência e de meias-verdades. Afinal, o Novo Banco terá mesmo custos para os contribuintes porque o atual Primeiro-Ministro e o seu Ministro das Finanças decidiram mudar diversas premissas e regras que foram decididas quando da resolução do BES.

O governo PS/BE/PCP não está a resolver os problemas do sistema financeiro, está a deitar dinheiro dos contribuintes para cima dos problemas da banca portuguesa. Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos.