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Expresso

O futuro da Europa está nas nossas mãos

Desde que seis verdadeiros líderes europeus se sentaram em Roma e assinaram o 1º Tratado que vivemos 60 anos sem guerras, 60 anos de paz, de prosperidade e desenvolvimento crescentes até à atualidade. Com efeito, e apesar de alguns percalços pelo caminho, são seis décadas em que a qualidade de vida dos europeus melhorou continuamente e de forma evidente.

Apesar disso, responsabilizar a União Europeia pelos fracassos e pela incompetência dos governos nacionais é mais do que uma tradição, a pedra de toque de diversos Primeiros-Ministros e dirigentes políticos europeus. E até se pode perceber com facilidade o porquê: esse é, com efeito, o caminho mais fácil, a cortina perfeita para irresponsabilidade já que a tese do inimigo externo continua a ser a regra básica dos manuais de estratégia de alguns líderes. Talvez por isso, assim cresceram, juntos, os populistas e os eurocéticos, a extrema-esquerda e a extrema-direita europeia. Esse lado da história também faz parte destes 60 anos mas é lamentável que assim seja.

Convém recordar que a culpa da crise europeia, seja em Portugal, na Grécia ou na Irlanda não é responsabilidade da zona euro ou da união económica e monetária. A verdade é que, como bem sabemos, essa narrativa serviu de alibi para aligeirar as responsabilidades de muitos políticos europeus. Se hoje há tantos descrentes no projeto europeu é graças à desonesta responsabilização da União Europeia pelos problemas e fracassos dos Estados-Membros.

A crise de 2007-2008 afetou todos os países, ninguém passou incólume, mas alguns sofreram mais do que outros. Uns pela maior exposição aos problemas, ao sector bancário americano ou à economia global, e outros pela sua frágil situação interna.

Se afirmo que estes 60 anos são uma história de sucesso, também reconheço que há ainda muito por fazer e diversas reformas por implementar. É hoje consensual para a maioria dos dirigentes europeus que é urgente reformar a união económica e monetária, fortalecer a regulação financeira e completar o mercado interno. Aí a Europa ficará mais forte, menos sujeita às convulsões internacionais e mais capaz de responder aos problemas.

Ao fim de 60 anos, os Estados-Membros podem estar orgulhosos do caminho que construíram juntos, com mais ou menos adversidades, com desafios imensos, mas com um saldo global extremamente positivo. À medida que os alargamentos se somaram os desafios foram sendo cada vez maiores, as dificuldades de consenso mais difíceis e o impacto das decisões mais profundo.

Não podemos esquecer que os resultados dos Tratados, que recordo são aprovados pela unanimidade dos Estados-Membros e onde o voto da Letónia vale tanto como o da Alemanha, são o resultado do somatório de 28 países, de nações e culturas diferentes, com interesses que nem sempre são semelhantes.

O processo de construção europeia é difícil, é um caminho de compromissos, mas também de cedências, de avanços e recuos, onde se procura constantemente conciliar o interesse nacional com o interesse europeu. Não é nada fácil e estranho seria se assim fosse. Neste processo não pode haver vencedores ou vencidos, se assim for perdemos todos.

Agora é tempo de olhar em frente, reformar o que é preciso reformar, e construir aquela que será a nossa Europa de futuro. Não é tempo de hesitar ou de esperar que outros o façam por nós. Os “pais fundadores” tiveram o seu papel e inspiram agora o nosso caminho. Mas agora as decisões são nossas, desta geração, o caminho depende da nossa vontade e do comprometimento com o projeto europeu.

O futuro da União Europeia é aquele que quisermos e soubermos construir.