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Expresso

Em 2018 até as vacas voam

Após 5 anos de promessas irrealistas, de investimentos impossíveis, de anúncios inverosímeis, o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista chegaram ao poder e tudo isto se esfumou. Agora, em 2016, regressamos às promessas, afinal é tudo para 2018. Em 2018 é que é.

"Em 2018 aumentará o salário mínimo". "Em 2018 faremos um novo aeroporto". "Em 2018 vamos vincular os professores contratados"."Em 2018 serão aumentados os salários na função pública." "Em 2018 haverá promoções para toda a função pública." "Em 2018 os precários entram para os quadros do Estado." "Em 2018 criaremos uma Agência Espacial Portuguesa." "Em 2018 baixará o IRC. Em 2018 serão alterados escalões do IRS." "Em 2018 aumentarão as pensões mínimas." "Em 2018 o investimento vai crescer." Todas estas são citações recentes de membros do Governo. Ao que parece, é em 2018 que as vacas vão mesmo voar.

Não posso deixar de referir que esta forma de estar contrasta brutalmente com a estratégia de rigor e exigência que conhecemos de 2011 a 2015. Não foi isenta de erros, mas foi incomparavelmente mais séria. A Educação do malfadado Nuno Crato, é um bom exemplo da diferença entre percepção e realidade, entre um governo que pensa a curto prazo e outro que pensou a longo prazo.

A esse propósito, na semana passada, ficámos a conhecer os primeiros resultados das reformas feitas na área da educação. Não falo de metas anunciadas, mas sim de conquistas efectivas dos estudantes portugueses na sequência de uma aposta clara na exigência feita pelo anterior governo.

No estudo TIMMS, tornado público na semana passada, os estudantes portugueses conseguiram resultados fantásticos ao nível da matemática, ultrapassando mesmo os finlandeses, disciplina onde Nuno Crato alterou toda a estratégia com a polémica que todos conhecem.

Ainda hoje ficaremos a conhecer os resultados do PISA, o mais relevante e prestigiado indicador na área da educação, onde espero que Portugal registe uma melhoria clara quando comparado com o PISA de 2012. Se estes resultados confirmarem o TIMMS, saberemos que a exigência e o rigor, a aposta nas qualificações e na verdadeira defesa da escola pública, valeram a pena. Estes resultados, a serem confirmados agora pelo PISA, são mérito dos alunos, em primeiro lugar, mas também dos pais e professores, mas é justo recordar a coragem das reformas introduzidas pelo poder político.

Os sucessos agora confirmados na educação revelam que vale a pena fazer reformas, mesmo as mais difíceis. Estes estudos permitem-nos, por outro lado, ter a certeza que o sucesso obtido desde 2012 nesta área pode ser posto em causa pelas reversões, pelo facilitismo e pelo radicalismo do actual Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues. Assim se destroem boas políticas públicas de educação e se ameaça o futuro dos jovens portugueses.

E porque o futuro do nosso país deveria ser preparado no presente, não posso deixar de me referir à entrevista de ontem do Primeiro-Ministro onde, mais uma vez, acabou por revelar a sua ignorância na gestão de múltiplos dossiers. Na CGD até confessou alguns dos seus erros mas não conseguiu esclarecer os diversos percalços na gestão do processo. Pior, ainda na CGD tenta esconder que as imparidades que quer agora assumir são ainda consequência de decisões da administração dos seus camaradas Vara/Santos Ferreira. António Costa também não disse a verdade acerca do investimento. Abriu uma caixa de pandora ao anunciar a intenção de renegociar a dívida pública portuguesa que não se cansa de agravar. Mais uma vez, tentou responsabilizar o passado por todos os seus fracassos e falhas.

Torna-se pois evidente que António Costa não tem nenhuma reforma prevista, não tem coragem para tomar decisões difíceis, não revela um caminho para o país e limita-se, como é seu hábito, a tentar reescrever a história recente porque não tem um projecto de futuro para apresentar aos portugueses.