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Expresso

Do que ri António Costa?

O Primeiro-Ministro chega ao final do seu primeiro ano de mandato com um único mérito: conseguiu que a sua coligação de governo se mantivesse coesa e estável. Mas à custa de quê? Com que factura?

O País não cresceu tanto como aconteceu em 2015, o desemprego não caiu tanto como em 2015, as reformas necessárias não só não ocorreram como várias foram revertidas, o investimento público e privado não cresceu tanto como em 2015, a dívida pública não deixou de crescer como em 2015, a justiça não melhorou como até 2015, os resultados da educação não melhoraram tanto como até 2015, os resultados da ciência não melhoram tanto como até 2015, a redução das desigualdades não foi tão grande como até 2015. Afinal por que ri António Costa? Portugal perdeu, pelo menos, um ano da sua recuperação e hipotecou muitos mais do seu desenvolvimento.

Será que se ri porque falhou por completo as metas anunciadas pelo PS para 2016? Será que se ri porque falhou o compromisso de colocar a economia portuguesa a crescer 2,4%? Será que se ri porque o investimento público prometido não foi cumprido? Será que se ri porque não aumentou o investimento na educação tal como anunciou? Será que ri porque o investimento público em 2016 é o segundo mais baixo da União Europeia? Ou terá piada o facto de ter falhado as metas por si prometidas de aumento do investimento na ciência e no ensino superior? Ou será que se ri do sector da cultura porque não aumentou o investimento tal como prometeu em campanha? Talvez tenha piada o facto das dívidas dos hospitais aumentarem todos os meses e estar a dever dinheiro a milhares de fornecedores! Ou porque as escolas profissionais não recebem desde janeiro deste ano!

Será que aquele sorriso é a forma habilidosa que António Costa encontrou para enganar os portugueses e as instituições europeias?

Será que aquele sorriso é o assumir público da falta de competência, da irresponsabilidade e da impunidade com que António Costa tem governado o País?

Hoje o País e os portugueses podiam estar a viver dias bem melhores. Bastava António Costa sorrir menos e governar mais. Se assim fosse hoje seria possível haver mais emprego em Portugal, serviços públicos com maior qualidade e maior crescimento económico. Sorrisse António Costa um pouco menos e governasse um pouco mais, estaria a aproveitar as oportunidades que a Europa lhe dá e o legado positivo que o Governo de Pedro Passos Coelho lhe deixou.

António Costa é hoje, como Sócrates foi até 2011, o rosto da falsa realidade. António Costa é hoje, como Sócrates foi até 2011, o rosto da descompressão. António Costa é hoje, como Sócrates foi até 2011, o rosto do facilitismo e da percepção em detrimento do rigor e da verdade. Tal como Sócrates, para António Costa o que conta é criar uma realidade paralela.

Há um País real e os portugueses merecem mais. Os portugueses merecem que o sucesso do País não esteja condicionado por uma agenda partidária em que apenas se satisfazem as exigências de alguns em detrimento de todos. E António Costa, infelizmente, tem-se limitado a colocar os interesses partidários à frente dos interesses do País. Os seus interesses partidários e os interesses partidários de uma agenda liderada pelo BE e com o PCP a reboque. Sim, o PCP anda apenas a reboque.

Será que o PS fica satisfeito com um País que não aumenta a sua capacidade produtiva? Será que o PS fica satisfeito com um País que não gera o emprego que podia gerar? Será que o PS fica satisfeito com um País que não cria mais riqueza e que não combate eficazmente as desigualdades?

A conclusão que se pode retirar é que António Costa não tem a ambição para Portugal que os portugueses merecem.

António Costa quer apenas garantir o statu quo, manter tudo na mesma e contentar as suas clientelas, o Bloco e o PCP. No fundo prefere o Portugal de 2011, o país da bancarrota que os portugueses herdaram de José Sócrates.

É a falta de ambição e de visão de António Costa que nos deve preocupar.

Este não é um governo que constrói, é um governo que pretende apenas sobreviver e garantir que uma coligação de esquerda funcione, mas que deixa uma enorme factura para as gerações futuras. António Costa faz-me lembrar aqueles atletas cujo principal objectivo é apenas não ser desclassificado ou não ficar em último.