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Expresso

Afinal, o “bem-estar” dos portugueses melhorou entre 2011 e 2015

A semana passada, o INE publicou talvez o mais importante estudo sobre os últimos anos e os efeitos do período de ajustamento, que acabou por ser ofuscado pelas polémicas em torno debate sobre o OE para 2017. Este estudo do INE, o "índice de bem-estar", revela que houve uma redução das desigualdades entre 2011 e 2015. Pelos vistos, a crueza dos números não nos conta a mesma história que irrigou os manuais da demagogia e a retórica radical dos últimos tempos.

Este estudo revela que, apesar da "maldita" austeridade, o nível de "bem estar e de qualidade de vida" dos portugueses melhorou consideravelmente entre 2011 e 2015. Melhor, o índice Gini (aquele que permite medir as desigualdades) revela que, em termos distribuição do rendimento mensal líquido, após o PAEF (Programa de Assistência Económica e Financeira) há menos desigualdades entre os portugueses do que quando entrámos no programa de ajustamento (2011). O INE revela ainda que em 2015 atingimos a melhor marca de sempre no que diz respeito ao referido índice Gini.

Também de acordo com o Índice de Bem-Estar (IBE), a qualidade de vida dos portugueses melhorou continuamente entre 2004 e 2011, e apesar de em 2012 ter havido uma inflexão, começou a recuperar logo em 2013, seguindo o mesmo ritmo em 2014. Pelos dados já conhecidos, é muito provável que essa recuperação se tenha continuado a verificar até ao final de 2015.

Por outro lado, também a taxa de privação material, um indicador que a esquerda tanto gostava de usar como arma de arremesso contra o anterior governo, caiu a pique em 2015, a maior queda dos registos, e passou a um nível inferior à nossa média histórica.

No que diz respeito aos pensionistas, e ao "mantra" habitual "vocês roubaram dinheiro aos pensionistas", o mesmo relatório do INE diz que, em termos reais, ou seja descontando o efeito da inflação/deflação nos rendimentos, a pensão mediana aumentou +3,3% entre 2011 e 2014, sendo o valor da pensão mediana em 2014 o mais elevado de sempre.

Afinal, essa "maldita deriva neoliberal" que "acentuou desigualdades", que "aumentou os níveis de pobreza" apenas e só por obsessão da "direita" e da União Europeia, não passou de um mito e as provas disso mesmo são agora públicas, certificadas, isentas e passíveis de serem consultadas.

Hoje, graças aos dados do INE e do Eurostat, começa a ser possível olhar para esse período com mais distanciamento e com mais certeza. Ainda assim julgo que só dentro de 5 a 10 anos será possível avaliar mais correctamente, e discutir de forma menos emocional e mais científica, o que significaram os 4 anos de governação de PSD/CDS. Para já, e o que é factual, é que os primeiros dados oficiais desmentem de forma categórica quatro anos de discurso demagógico da esquerda portuguesa e confirmam uma verdadeira recuperação da qualidade de vida dos portugueses.

p.s.

Para que não digam que é uma leitura política ou enviesada deixo abaixo o resumo apresentado pelo próprio INE e que, tal como relatório acima referido, podem encontrar aqui.

"O Índice de Bem-estar (IBE) da população portuguesa evoluiu positivamente entre 2004 e 2011, tendo registado uma inflexão em 2012. Recuperou no ano seguinte e, em 2014, manteve essa recuperação, estimando-se uma continuação de crescimento para 2015, ano em que terá atingido os 118,4.

O INE apresenta os principais resultados da quarta edição do estudo “Índice de Bem-estar para Portugal”, o qual tem por base o ano de 2004 (2004=100). Este estudo baseia-se em metodologia definida por um conjunto de organizações internacionais, nomeadamente a OCDE e o Eurostat, aplicada por vários Institutos de Estatística. O Índice agora divulgado analisa o período 2004 - 2015, integrando resultados preliminares para 2015.